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Deputada quer apuração por abuso de poder e racismo religioso em ação policial

Caso ocorreu em Caxingui, zona oeste de São Paulo, onde policiais teriam invadido a escola e intimidado crianças e professoras durante atividade sobre história africana
Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Antônio Bento, no bairro do Caxingui, em São Paulo.

Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Antônio Bento, no bairro do Caxingui, em São Paulo.

— Reprodução/Google Street View

20 de novembro de 2025

A deputada estadual Ediane Maria (PSOL-SP) apresentou uma moção de repúdio e um requerimento de informações à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) após a invasão de policiais militares à Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Antônio Bento, no bairro do Caxingui, em 12 de novembro. 

De acordo com a parlamentar, os agentes intimidaram crianças e professoras durante uma atividade pedagógica sobre cultura e história africana, que incluía representações de orixás.

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Em discurso, a deputada classificou o episódio como “extremamente grave” e afirmou que um soldado da PM invadiu a unidade e chamou mais quatro policiais, um deles portando uma metralhadora. “Isso é um retrato escancarado do racismo e da intolerância religiosa”, declarou.

A moção de repúdio destaca que a promoção de políticas públicas para romper com a desigualdade sociorracial e o epistemicídio do conhecimento afro-brasileiro é fundamental. A Lei 10.639/2003, que inclui o ensino de história e cultura afro-brasileira no currículo escolar, representa um marco no fortalecimento da identidade negra.

A parlamentar afirma que o ocorrido na EMEI Antônio Bento não representa apenas abuso de autoridade, como também a sistematização do racismo e a operacionalização do epistemicídio dos saberes afro-brasileiros.

Requerimento questiona autorização e procedimentos da PM

O requerimento de informação encaminhado à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo contém nove perguntas específicas sobre o caso. A deputada questiona o nome do comandante que autorizou a operação na escola e solicita uma cópia do documento que permitiu a entrada dos policiais militares na EMEI.

Ela também pergunta se houve registro de boletim de ocorrência pelo pai da criança contra a escola e se a SSP abriu processo administrativo disciplinar para apurar a conduta dos agentes. O documento indaga ainda se medidas cautelares foram aplicadas, como o afastamento dos policiais e se há a responsabilização penal ou penal-militar em curso.

A deputada requisita o envio das gravações das câmeras corporais dos PMs envolvidos no episódio. Questiona ainda qual é o protocolo da SSP para o uso de armas em instituições de ensino, especialmente em escolas de educação infantil.

Por fim, considerando que a ação policial ocorreu durante uma aula sobre cultura afro-brasileira, a parlamentar pergunta que medidas a secretaria tem tomado para combater a reprodução de estereótipos racistas entre seus agentes e se a pasta pretende adotar protocolos antirracistas na formação policial. Ela também questiona quais ações a SSP desenvolve para combater o abuso de poder entre os policiais.

Articulação para responsabilização do pai e dos agentes

Ediane também informou que acompanhará o boletim de ocorrência registrado por uma professora que se sentiu ameaçada pelo pai da aluna. A parlamentar afirma que buscará garantir que o caso seja tratado como episódio de racismo religioso, previsto na legislação.

Ao mesmo tempo, ela reforça que pedirá à SSP a abertura de procedimento disciplinar contra os policiais que, segundo o relato da escola, entraram no prédio pela parte de trás após a diretora tentar barrar a entrada.

Em entrevista à Alma Preta a parlamentar classificou a ação como um episódio que exige resposta institucional imediata.

“Isso que aconteceu é extremamente grave. Um soldado da PM usou de abuso de poder para invadir uma EMEI e intimidou crianças e professoras que estavam no exercício da profissão,  aplicando a lei 10.639/03 com atividades lúdicas de cultura e história africana, com representações de orixás. Não contente, chamou mais quatro policiais para invadirem a escola, sendo que um deles estava armado com metralhadora. Que mundo é esse, gente? Até onde vai a truculência da polícia? Isso é um retrato escancarado do racismo e da intolerância religiosa“, defendeu.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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