Artistas e pesquisadores indígenas poderão concorrer a uma residência de um mês na França por meio de um edital lançado pelo Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e pela Cité internationale de la langue française. A iniciativa selecionará duas pessoas, uma residente no Brasil e outra na Guiana Francesa, para desenvolver projetos ligados à valorização, à circulação e à história das línguas e dos conhecimentos indígenas.
As inscrições permanecem abertas até 30 de agosto. A residência ocorrerá entre 15 de março e 11 de abril de 2027, na cidade de Villers-Cotterêts, a cerca de 80 quilômetros de Paris.
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Os participantes terão hospedagem custeada pelo programa, receberão uma bolsa para despesas com transporte e alimentação, contarão com espaço de trabalho e terão acesso às exposições da Cité internationale de la langue française. Também poderão propor atividades voltadas ao público durante o período de permanência.
A iniciativa resulta de uma parceria entre os dois museus, que compartilham o objetivo de reconhecer as línguas como instrumentos de produção cultural, intercâmbio de conhecimentos e exercício da cidadania. O edital também busca fortalecer o reconhecimento do multilinguismo presente no Brasil e na Guiana Francesa, com atenção especial à região da fronteira do rio Oiapoque.
Segundo os organizadores, o programa nasceu a partir de debates realizados em 2025 no Museu da Língua Portuguesa sobre as línguas indígenas e a cooperação entre Brasil e Guiana Francesa.
Atualmente, além do português, o Brasil reúne cerca de 180 línguas indígenas, enquanto o território ultramarino francês também apresenta diversidade linguística.
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Quem pode participar
O edital prevê a seleção de duas candidaturas, sendo uma delas para residente no Brasil e outra para residente na Guiana Francesa. As propostas serão analisadas por um júri composto por representantes dos dois museus e especialistas convidados.
Terão prioridade pesquisadores e artistas indígenas com projetos relacionados à valorização, à circulação e à história das línguas indígenas. No caso brasileiro, haverá prioridade para candidatos oriundos da região das Guianas.
Também será permitida a inscrição em dupla, formada por um participante do Brasil e outro da Guiana Francesa, desde que apresentem um projeto conjunto voltado ao diálogo linguístico e cultural na região de fronteira.
O programa exige conhecimentos básicos de francês para facilitar a comunicação durante a residência. Caso a pessoa selecionada ainda não domine o idioma, a Embaixada da França oferecerá gratuitamente um curso intensivo on-line antes da viagem.
Documentos necessários
Os candidatos devem apresentar um currículo ou portfólio com no máximo três páginas, uma carta de motivação com até uma página e um projeto a ser desenvolvido durante a residência com até dez páginas.
Também é possível incluir uma carta de recomendação de instituições culturais atuantes na região transfronteiriça entre Brasil e Guiana Francesa, com até uma página. O júri dará atenção especial a candidaturas que apresentarem esse documento.
Os documentos podem ser redigidos em português ou francês. Os candidatos brasileiros devem enviar a documentação por formulário on-line. Os candidatos da Guiana Francesa devem enviar para o e-mail [email protected], com o assunto “Résidence France-Brésil – NOM PRÉNOM DU (DE LA) CANDIDAT(E)”.
O edital completo pode ser consultado no site do Museu da Língua Portuguesa.
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