Políticos do Rio Grande do Sul se manifestaram sobre o espancamento do adolescente Jonas de Lima dentro de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre. O caso foi revelado por reportagem da Alma Preta na última terça-feira (30).
O deputado estadual Matheus Gomes (PSOL-RS) e a ex-deputada federal Manuela d’Ávila cobraram a apuração do caso, defenderam a responsabilização dos envolvidos e citaram o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado pela rede de supermercados após o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, conhecido como Beto Freitas, em 2020.
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A reportagem apresenta relatos da família de Jonas sobre a abordagem ocorrida em 8 de junho de 2024 na unidade do Carrefour localizada no bairro Partenon, em Porto Alegre.
Segundo a denúncia, o adolescente, a mãe Juliana Campos, e outros familiares sofreram agressões físicas, ofensas racistas e humilhações após serem acusados de furtar produtos.
Conforme informações da reportagem, o funcionário que fez a acusação admitiu que nem ele nem o sistema de segurança registraram qualquer furto.
Em publicação em rede social, Matheus Gomes afirmou que o episódio representa mais um caso de violência racial associado ao Carrefour e relembrou os compromissos assumidos pela empresa após a morte de Beto Freitas.
Segundo o parlamentar, o acordo firmado à época estabeleceu, entre outros pontos, a proibição da perseguição de pessoas negras nos estabelecimentos e a limitação do acionamento da polícia a situações extremas. Para ele, os fatos denunciados pela família devem ser investigados sob essa perspectiva.
“O Carrefour vê toda pessoa negra como uma ameaça. Quando eles agridem, acusam e proferem palavras racistas, não estamos falando de casos isolados”, publicou em seu perfil nas redes sociais.
Matheus Gomes também informou que encaminhará o caso à Comissão de Segurança e Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS)
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A ex-deputada federal Manuela d’Ávila compartilhou a reportagem em rede social e afirmou que as denúncias remetem ao assassinato de João Alberto Freitas, espancado e morto por seguranças do Carrefour em 2020.
Na publicação, d’Ávila destacou que a Justiça do Rio Grande do Sul analisa se houve violação do Termo de Ajustamento de Conduta firmado pela empresa após aquele caso. Segundo ela, o acordo previa a proibição do “monitoramento ostensivo de pessoas negras”, de práticas racistas e do acionamento da polícia fora de situações excepcionais.
“Seis anos depois, seguimos diante de denúncias que nos fazem perguntar: o que realmente mudou? Justiça para Jonas e sua família. Memória para Beto. E compromisso verdadeiro com uma sociedade onde vidas negras importem todos os dias, e não apenas quando a indignação vira manchete”, escreveu.
Acordo firmado após a morte de Beto Freitas
As manifestações de Matheus Gomes e Manuela d’Ávila fazem referência ao Termo de Ajustamento de Conduta assinado pelo Carrefour após a morte de João Alberto Freitas, ocorrida em 19 de novembro de 2020, em uma outra unidade da rede na capital gaúcha.
Entre as medidas previstas no acordo estão o combate a práticas racistas nas lojas, a adoção de protocolos para evitar abordagens discriminatórias e a restrição do acionamento das forças policiais.
De acordo com a reportagem, o Instituto Caminho – Raça e Acesso à Justiça, que acompanha o caso da família de Jonas, sustenta que os fatos denunciados podem indicar descumprimento das obrigações assumidas pela empresa no TAC firmado após a morte de João Alberto Freitas.
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