A Grande Recife Consórcio, responsável pelo transporte metropolitano da capital pernambucana, anunciou, na quinta-feira (15), um aumento de 4,46% no valor das passagens de ônibus. Com o reajuste, o Bilhete Único passará de R$ 4,30 para R$ 4,50.
Em resposta ao aumento, manifestantes ocuparam a sede do Grande Recife, na região central da cidade, em protesto contra o aumento da passagem e por um transporte público gratuito. O ato também denunciou a inacessibilidade da reunião que determinou nova tarifa, que ocorreu de modo on-line e sem divulgação.
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A alteração foi aprovada em votação no Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), composto pelo Governo do Estado, proponente da mudança, e por prefeituras da Região Metropolitana de Recife. Apesar de participarem, representantes da sociedade civil são minoria entre os membros.
A composição do Conselho ainda inclui empresas da área. Participam da parceria: a Auto Viação São Judas Tadeu, Mobibrasil Expresso S/A, Viação Mirim LTDA, Transportadora Globo LTDA, Consórcio Recife de Transporte, Empresa Metropolitana S/A, Consórcio Conorte, Rodoviária Caxangá S/A e a Borborema Imperial Transportes LTDA.
À Alma Preta, a cientista social e integrante da direção estadual do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) de Pernambuco, Yasmim Alves, declara que o link de participação da reunião do CSTM só foi divulgado durante a sessão, após o início do debate.
“A reunião não foi sequer presencial, não foi amplamente divulgada e o link só foi enviado para a sociedade civil acompanhar quando entramos e ocupamos a sede do Grande Recife Consórcio. Depois que passamos algumas horas lá, eles enviaram o link para a gente acompanhar o que estava sendo debatido”, conta a militante, que esteve no protesto.

Alves, que também é professora de história, afirma que o conselho não realiza eleições há oito anos, o que, segundo o próprio estatuto do órgão, configuraria uma irregularidade. A cientista social defende que não houve mudanças na qualidade do transporte que justificassem o aumento.
Transporte como direito básico constitucional
Candidata a vereadora pelo PSOL em Recife nas eleições de 2024, Yasmim Alves tinha entre suas principais propostas a introdução da tarifa zero na cidade. Para ela, o fim da taxação do transporte público é um direito da população.
“A gente tem lutado há muitos anos. São gerações e gerações de militantes do transporte público contra o aumento das passagens e pela tarifa zero, já que o transporte público se tornou um direito previsto na Constituição em 2015, a partir de uma emenda constitucional”, diz.
Para ela, a garantia constitucional deveria embasar a abolição da tarifa de transportes públicos, uma vez que se trata de um direito básico que dá acesso a outros direitos.
“A gente usa o ônibus para ir para a universidade, para a escola, para o trabalho, para o posto, para uma unidade de saúde, para acessar a cultura, para acessar o lazer, então nem deveríamos pagar para utilizar o transporte público”, conclui.