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Em Bonn, organizações defendem prioridade de dados de raça e gênero para políticas de combate à crise climática

Evento realizado por organizações brasileiras pontuou a importância dos dados desagregados no contexto da Meta Global de Adaptação (GGA)
Mulher caminha em um solo seco.

Mulher caminha em um solo seco.

— Reprodução/Freepik

18 de junho de 2025

Organizações negras brasileiras realizaram nesta terça-feira (17) em Bonn, na Alemanha, um evento para discutir a importância da desagregação dos dados de raça e gênero para a agenda da Meta Global de Adaptação (GGA, na sigla em inglês). A atividade abordou como essa base de informações entre governos e organizações é fundamental para a criação de  políticas públicas direcionadas para as populações que mais sofrem com a crise climática. 

O encontro é articulado por uma rede de organizações, que inclui Geledés Instituto da Mulher Negra, Instituto de Estudos Sobre Religião, Conectas Direitos Humanos, Clima de Política, Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), entre outras. O evento integra a programação da Comissão das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (UNFCCC) e ocorreu paralelamente à 62ª sessão dos Órgãos Subsidiários da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (SB62).

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“Construir essa reunião em Bonn é fundamental para reunir diferentes perspectivas da sociedade civil global sobre o tema, como representantes do governo brasileiro e organizações internacionais”, explica à Alma Preta a co-fundadora e coordenadora do coletivo Ibura Mais Cultura e do Observatório Popular de Injustiças Climáticas, Lídia Lins, que também integra a Rede Vozes Negras pelo Clima.

Segundo Lídia, desagregar dados ambientais sobre eventos climáticos extremos e injustiças climáticas é importante para identificar o perfil das pessoas mais atingidas pelos desequilíbrios climáticos. “A partir desses dados, as políticas podem ser pensadas e aplicadas de uma melhor forma para reduzir esses processos de vulnerabilidade”, destaca. 

Por sua vez, a secretária executiva da Rede por Adaptação Antirracista, Thaynah Gutierrez, revela que há mais de dois anos as organizações vêm trabalhando nessa temática, com o objetivo de medir a vulnerabilidade real dos territórios e das populações. “O nosso objetivo aqui em Bonn é trazer a discussão nacional para o âmbito internacional, principalmente para incidir na construção dos novos indicadores de GGA. A ideia é que a gente consiga compreender globalmente os países que são mais afetados”, detalha.

De acordo com a secretária executiva, o evento também buscou visibilizar experiências que têm ajudado os governos a melhorarem o entendimento sobre os territórios e uma perspectiva global dos desafios para avançar com a garantia de dados desagregados.

Thaynah também destacou as articulações internacionais que a organização tem feito. “A gente faz parte de algumas redes globais, como a Climate Action Network, com instituições do mundo inteiro, que também estão pedindo dados desagregados de gênero e raça”, pontua. 

No contexto brasileiro, ela ressaltou que a apenas a diplomacia brasileira fala sobre pessoas afrodescendentes nas negociações e defendeu a necessidade de ampliar o debate sobre o tema e incentivar para que outros diplomatas também falem. “Temos tentado fornecer materiais nessas redes globais para que elas possam convencer seus próprios representantes”, finaliza. 

No âmbito da discussão internacional, a Meta Global de Adaptação é fundamental para o avanço de políticas públicas voltadas para a população no Sul Global, onde se concentra a maioria das pessoas negras. Isso porque a meta tem o objetivo de preencher essa lacuna com uma estrutura clara e metas para avaliar os avanços em adaptação. Por isso, a incidência política internacional é fundamental para ampliar o instrumentalizações de uma política de adaptação efetiva para as populações mais vulneráveis. 

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  • Victor Oliveira

    Jornalista formado pela Unesp e pós-graduando em Jornalismo Digital. Atualmente é Gerente de Projetos da Alma Preta Jornalismo.

  • Elaine Silva

    Possui formação em Administração de empresas e Gestão Financeira na UNIESP e Anhembi Morumbi, é responsável pela análise, gestão, controle contábil, planejamento estratégico de negócios, desenvolvimento institucional e captação de recursos para organizações e empresas. Fundadora da Black Adnetwork, Sócia Diretora da Alma Preta Jornalismo, Cofundadora do Instituto Fala, Conselheira Titular do Conselho Nacional Pela Igualdade Racial (CNPIR), Conselheira Consultiva nas organizações Tornavoz, Alafia, Sleeping Giants e DiversaCom. Diretora financeira nas empresas: Instituto Matizes, Diver.ssa e Nós Mulheres da Periferia.

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