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‘Política climática deve ser pensada a partir do território e das comunidades negras’, defende ativista

Mahryan Sampaio, do Instituto Perifa Sustentável, participa da Conferência de Bonn, na Alemanha, a fim de incidir sobre políticas de adaptação climática para a população negra do Brasil
A ativista climática Mahryan Sampaio, co-fundadora e diretora executiva do Instituto Perifa Sustentável.

A ativista climática Mahryan Sampaio, co-fundadora e diretora executiva do Instituto Perifa Sustentável.

— Victor Oliveira/Alma Preta

17 de junho de 2025

A 62ª sessão dos Órgãos Subsidiários da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (SB62), em Bonn, na Alemanha, é uma oportunidade para quem deseja incidir sobre os compromissos internacionais em relação ao combate à crise climática. A exemplo do Instituto Perifa Sustentável, que participa do evento pela sexta vez e, nesta edição, busca disputar os rumos da Conferência das Partes (COP 30), que será em novembro em Belém (PA).

A organização busca combater o silenciamento das populações que mais sofrem com os impactos das mudanças climáticas. Em São Paulo e em todo o país, o instituto atua nas interseções entre justiça climática, direitos humanos e fortalecimento de juventudes negras e periféricas.

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Fundado por mulheres negras com ampla trajetória em movimentos sociais, tem contribuído para qualificar o debate público, construir estratégias de incidência e ampliar o acesso a políticas públicas ambientais por parte de populações historicamente marginalizadas e sub-representadas.

A ativista climática Mahryan Sampaio, co-fundadora e diretora executiva da organização, é quem representa o Perifa Sustentável na conferência, com a intenção de articular politicamente para que os processos de negociação climática deixem de ignorar os territórios, principalmente aqueles ocupados pelas juventudes negras, periféricas, quilombolas, indígenas e rurais que sofrem diariamente com as enchentes, secas, calor extremo, insegurança alimentar, entre outros problemas. 

Para Mahryan, estar presente na Conferência de Bonn é levar para o cenário internacional um olhar que combina território, raça e implementação real. “É vigiar de perto os compromissos que estão sendo assumidos em nome do Brasil, para que não sejam pactuados sem a participação das populações que vivem na linha de frente da crise. Estamos aqui para tensionar o sistema por dentro, porque trazemos a perspectiva de que política climática deve ser pensada a partir de quem tem direito ao território e soluções lideradas por comunidades negras que já cuidam do clima mesmo sem recursos e invisibilizadas”, afirma, em entrevista à Alma Preta.

A etapa antes da COP 30 no Brasil 

Apesar de ser menos conhecida que a COP, a Conferência de Bonn tem igual importância a nível de incidência política internacional. Nessa etapa que antecede a COP 30 no Brasil, os desafios e encaminhamentos serão decididos a partir de negociações entre os países, que podem ser orientadas por blocos de grupos econômicos, região longitudinal similar ou até mesmo interesses político-econômicos. 

Para Mahryan, que também é presidente do Fundo Brasileiro de Educação Ambiental (FunBEA), a conferência na Alemanha tem o potencial de ser um ponto de virada na preparação para a COP 30, caso tenha um comprometimento real dos países. “É um momento técnico e importante, em que o terreno para a COP será preparado. Estamos acompanhando com atenção temas como adaptação e financiamento climático, mas sob uma lente que nem sempre aparece nas negociações: justiça racial”, explica.

Apesar da realidade do Brasil demonstrar o racismo ambiental na prática, como por deslizamento de terras, ausência de saneamento básico, entre outras dificuldades nas zonas mais periféricas, o termo não é debatido durante as atividades da programação oficial da SB62.

De encontro a isso, Mahryan afirma que a adaptação climática precisa sair do discurso abstrato e começar a se materializar em políticas públicas concretas nos territórios mais impactados, e isso envolve garantir acesso à água, moradia digna, saúde, segurança alimentar e enfrentamento da desigualdade como parte central da resposta climática. 

Como solução efetiva, ela sugere que os planos nacionais de adaptação são cruciais se aliados com implementação. “A discussão sobre adaptação climática tem potencial de avançar, mas para isso precisa considerar a capacidade real dos países de se adaptarem, não apenas a redução de indicadores. Ao mesmo tempo, a adaptação real só vai ser possível com financiamento direcionado, descentralizado e com governança que inclua as comunidades no centro da tomada de decisão”, completa. 

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  • Victor Oliveira

    Jornalista formado pela Unesp e pós-graduando em Jornalismo Digital. Atualmente é Gerente de Projetos da Alma Preta Jornalismo.

  • Elaine Silva

    Possui formação em Administração de empresas e Gestão Financeira na UNIESP e Anhembi Morumbi, é responsável pela análise, gestão, controle contábil, planejamento estratégico de negócios, desenvolvimento institucional e captação de recursos para organizações e empresas. Fundadora da Black Adnetwork, Sócia Diretora da Alma Preta Jornalismo, Cofundadora do Instituto Fala, Conselheira Titular do Conselho Nacional Pela Igualdade Racial (CNPIR), Conselheira Consultiva nas organizações Tornavoz, Alafia, Sleeping Giants e DiversaCom. Diretora financeira nas empresas: Instituto Matizes, Diver.ssa e Nós Mulheres da Periferia.

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