Nos dias 16 e 17 de junho, o Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo, recebeu a 17ª edição do Festival ABCR — o maior evento de captação de recursos da América Latina. Promovido pela Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), o festival reuniu mais de mil participantes, com uma programação diversa voltada ao fortalecimento das organizações da sociedade civil e à profissionalização da mobilização de recursos no país.
Ao longo de dois dias, o evento promoveu mais de 70 sessões, com painéis, plenárias e oficinas sobre tendências tecnológicas, inovação na gestão, financiamento público, fundos patrimoniais, captação internacional e novas estratégias de parceria com empresas. Neste ano, a trilha internacional ganhou destaque com a presença de especialistas de diversos países da América Latina e dos Estados Unidos, que compartilharam experiências e debateram os desafios do setor em uma perspectiva global.
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Entre os nomes internacionais presentes, Mônica Carrilo Zegarra, diretora para América Latina e Caribe da organização norte-americana Myriad USA, contribuiu com reflexões importantes sobre a conexão entre as causas sociais no Brasil e a filantropia internacional. Segundo ela, o Brasil tem um papel de destaque nas discussões sobre justiça social na região e pode ampliar o acesso a recursos globais por meio de estratégias bem estruturadas e mecanismos que facilitem doações individuais.
“Depois da crise gerada pelo assassinato de George Floyd, os Estados Unidos passaram a olhar com mais atenção para questões raciais. Nesse momento, o Brasil foi muito comparado à realidade norte-americana em relação à violência policial e ao tratamento da população afrodescendente. Isso despertou interesse e fez com que empresas que antes não apoiavam pautas raciais passassem a se envolver”, afirmou Mônica durante entrevista concedida no evento.
Apesar desse avanço, ela reforçou que é necessário garantir a continuidade do apoio internacional para além dos momentos de comoção global. “Acredito que é importante manter a conexão entre os dois mundos e suas narrativas. Há muita gente nos Estados Unidos — afro-americanos, ativistas, professores — que quer apoiar causas no Brasil, mas muitas vezes não sabe como. Por isso, mecanismos que democratizem a doação são tão relevantes”, pontuou.
Mônica também destacou o papel de eventos como o Festival ABCR na criação de pontes entre organizações brasileiras e potenciais apoiadores internacionais. Embora o festival não tenha como foco central uma causa específica, o conjunto de ferramentas, tendências e boas práticas apresentado se mostra útil para organizações que atuam em diversas frentes, da defesa de direitos humanos à justiça climática e equidade racial. A proposta do evento é justamente ampliar o acesso a soluções que fortaleçam a sustentabilidade do Terceiro Setor em suas múltiplas formas de atuação.
Fernando Nogueira, diretor-executivo da ABCR, celebrou o crescimento do evento e a diversidade dos temas abordados. “O Festival ABCR 2025 reuniu experiências do Brasil e do mundo, com conteúdos voltados a quem está começando na captação e também a quem já atua há anos. A troca de conhecimento e a construção de redes são fundamentais para o futuro do setor”, afirmou.
A edição de 2025 também foi marcada pela concessão de 25 bolsas integrais para participantes de diferentes regiões do país, reforçando o compromisso da ABCR com a inclusão e a diversidade. Além da programação oficial, o Festival contou com Masterclasses prévias com especialistas nacionais e internacionais e uma festa de celebração pelos 25 anos da associação.