A ex-futebolista brasileira Miraildes Maciel Mota, a Formiga, foi anunciada nesta sexta-feira (5) como integrante do painel Players’ Voice (“Voz do Jogador”, em tradução livre), criado pela Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) para combater o racismo no futebol.
O grupo reúne 16 personalidades do esporte, entre elas o argentino Juan Pablo Sorín, o colombiano Iván Córdoba, o marfinense Didier Drogba e o liberiano George Weah, que foi nomeado capitão honorário.
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Segundo a FIFA, os embaixadores terão a missão de supervisionar e acompanhar iniciativas de enfrentamento, promover ações educativas e propor novas ideias. Também atuarão em competições juvenis, com foco em sensibilizar jovens atletas e torcedores.
A criação do painel ocorre no contexto da estratégia de cinco pilares aprovada no congresso da FIFA em Bangkok, em 2024. O plano prevê endurecimento das sanções, procedimentos específicos para jogos e apoio jurídico a processos relacionados a atos racistas.
Entre as medidas, está a aplicação de multas de até 6,27 milhões de dólares (R$ 34,3 milhões) e a adoção de um gesto oficial de denúncia — braços cruzados em formato de “X” — que permite ao árbitro decidir sobre a interrupção da partida. A unidade de moderação digital da FIFA já analisou mais de 33 milhões de publicações e comentários desde a Copa de 2022, subsidiando processos em diferentes países.
Críticas anteriores e expectativas
Antes de assumir o posto de embaixadora, Formiga já vinha cobrando mudanças. Em entrevista concedida à Alma Preta durante os Jogos Olímpicos de Paris em 2024, a ex-jogadora denunciou a frequência de casos de racismo no futebol feminino e a falta de respostas efetivas.
“Acontece para caramba. No futebol feminino muitas pessoas acham que é terra sem lei. Já dói ver um cara na arquibancada ofendendo. Imagina quando é uma atleta ofendendo outra? Isso é o cúmulo, isso não existe. Isso acontece”, afirmou.
Para ela, clubes e federações tratam o tema de forma superficial. “Placa não resolve. Chama a atenção do racista, mas para ele é como se tivesse lendo uma piada. Acho que tem que agir.” Ao comentar a decisão da FIFA de punir times envolvidos em atos de racismo, acrescentou: “Por que isso não foi feito antes?”.