PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Formiga será embaixadora da FIFA em painel global contra o racismo

Ex-jogadora integra grupo de 16 personalidades do futebol que vai supervisionar iniciativas e propor estratégias de enfrentamento à discriminação no esporte
A ex-jogadora da Seleção Brasileira de futebol feminino Formiga, Paris/ 5 de agosto de 2024

A ex-jogadora da Seleção Brasileira de futebol feminino Formiga, Paris/ 5 de agosto de 2024

— Solon Neto/Alma Preta

5 de setembro de 2025

A ex-futebolista brasileira Miraildes Maciel Mota, a Formiga, foi anunciada nesta sexta-feira (5) como integrante do painel Players’ Voice (“Voz do Jogador”, em tradução livre), criado pela Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) para combater o racismo no futebol. 

O grupo reúne 16 personalidades do esporte, entre elas o argentino Juan Pablo Sorín, o colombiano Iván Córdoba, o marfinense Didier Drogba e o liberiano George Weah, que foi nomeado capitão honorário.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Segundo a FIFA, os embaixadores terão a missão de supervisionar e acompanhar iniciativas de enfrentamento, promover ações educativas e propor novas ideias. Também atuarão em competições juvenis, com foco em sensibilizar jovens atletas e torcedores.

A criação do painel ocorre no contexto da estratégia de cinco pilares aprovada no congresso da FIFA em Bangkok, em 2024. O plano prevê endurecimento das sanções, procedimentos específicos para jogos e apoio jurídico a processos relacionados a atos racistas.

Entre as medidas, está a aplicação de multas de até 6,27 milhões de dólares (R$ 34,3 milhões) e a adoção de um gesto oficial de denúncia — braços cruzados em formato de “X” — que permite ao árbitro decidir sobre a interrupção da partida. A unidade de moderação digital da FIFA já analisou mais de 33 milhões de publicações e comentários desde a Copa de 2022, subsidiando processos em diferentes países.

Críticas anteriores e expectativas

Antes de assumir o posto de embaixadora, Formiga já vinha cobrando mudanças. Em entrevista concedida à Alma Preta durante os Jogos Olímpicos de Paris em 2024, a ex-jogadora denunciou a frequência de casos de racismo no futebol feminino e a falta de respostas efetivas.

“Acontece para caramba. No futebol feminino muitas pessoas acham que é terra sem lei. Já dói ver um cara na arquibancada ofendendo. Imagina quando é uma atleta ofendendo outra? Isso é o cúmulo, isso não existe. Isso acontece”, afirmou.

Para ela, clubes e federações tratam o tema de forma superficial. “Placa não resolve. Chama a atenção do racista, mas para ele é como se tivesse lendo uma piada. Acho que tem que agir.” Ao comentar a decisão da FIFA de punir times envolvidos em atos de racismo, acrescentou: “Por que isso não foi feito antes?”.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano