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‘Há um desafio de adesão à causa da equidade racial no setor filantrópico’, diz nova gerente do Fundo Baobá

A cientista social Tainá Medeiros assume a gerência de Programas e afirma que sua gestão terá como foco o fortalecimento de lideranças femininas negras e o apoio a organizações de mulheres
A cientista social Tainá Medeiros, gerente de Programas do Fundo Baobá.

A cientista social Tainá Medeiros, gerente de Programas do Fundo Baobá.

— Divulgação/Arquivo pessoal/Fundo Baobá

23 de janeiro de 2026

O Baobá – Fundo para Equidade Racial, referência em promoção de iniciativas negras, nomeou Tainá Medeiros como sua nova gerente de Programas. A promoção representa uma transição na liderança da área, que foi conduzida pela diretora do setor, Fernanda Lopes, nos últimos sete anos.

Tainá Medeiros é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e tem pós-graduação em Cultura, Educação e Relações Étnico-Raciais pelo Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação (CELACC-USP). 

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Ela assume o cargo após atuar como coordenadora de Projetos no próprio fundo, onde era responsável pelo planejamento, gestão e monitoramento das iniciativas da área. Sua trajetória profissional inclui experiências no terceiro setor, na gestão pública e em instituições de economia mista.

A instituição afirma em nota à imprensa que a promoção reforça seu compromisso com o reconhecimento e o desenvolvimento de talentos internos. O movimento também tem o objetivo de fortalecer a formação de novas lideranças a partir de trajetórias coletivas e do diálogo entre gerações na promoção da equidade racial.

Reconhecimento interno e continuidade institucional

Em entrevista à Alma Preta, Tainá Medeiros descreveu seus primeiros sentimentos com a nomeação. 

“O primeiro sentimento é de satisfação pela oportunidade de reconhecimento e de crescimento profissional dentro do Fundo Baobá. O segundo é o sentimento da grande responsabilidade por assumir uma posição de liderança dentro de uma instituição que é referência na promoção da equidade racial no país”, afirmou.

Ela destacou o legado de sua antecessora. “Sucedo Fernanda Lopes, uma referência fundamental nessa agenda e uma mestra para mim, que atuou aqui por sete anos contribuindo com todo o trabalho que desenvolvemos”, completou.

Questionada sobre os desafios atuais, Tainá Medeiros apontou duas frentes. Na atuação direta do Fundo Baobá, o desafio é “sempre buscar construir respostas às expectativas e necessidades do campo, alinhadas às prioridades da instituição”.

De forma mais ampla, ela citou um obstáculo no campo filantrópico. “Há um desafio de adesão à causa da equidade racial e de inseri-la genuinamente no centro da atuação das instituições”, analisou. 

A nova gerente expressou a esperança de que o trabalho do Fundo Baobá possa influenciar outras organizações. “Esperamos que o trabalho realizado pelo Fundo Baobá possa influenciar cada vez mais o setor, sensibilizando sobre a importância do apoio a grupos, coletivos, organizações, movimentos e lideranças negras, e de assumir pública e concretamente esse compromisso no enfrentamento às desigualdades.”

Sobre os planos para sua gestão, Tainá Medeiros afirmou que dará continuidade à implementação da estratégia programática da instituição. O foco, em 2026, será em iniciativas para o fortalecimento de lideranças femininas negras e no apoio institucional a organizações, grupos e coletivos de mulheres negras. 

A agenda também inclui a ampliação do potencial de empregabilidade de pessoas negras e o apoio a estudantes brasileiros negros de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) que cursarão a graduação em instituições internacionais.


Criado em 2011, o Baobá – Fundo para Equidade Racial atua na mobilização de pessoas e recursos, no Brasil e no exterior, para apoiar projetos, iniciativas e ações voltadas ao enfrentamento do racismo, à promoção da justiça social e à equidade racial para a população negra.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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