O número de imigrantes internacionais no país passou de 592.448 em 2010 para 1.009.341 em 2022, o que representou um aumento de 70,3% no período. Os dados são do Censo 2022 e foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (27).
A pesquisa aponta que houve um aumento expressivo no fluxo imigratório internacional: a maioria dos estrangeiros que vive hoje no país (54%) chegou entre 2013 e 2022.
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Em termos de comparação, com base nos dados dos censos, entre 2005 e 2010, 268.291 imigrantes chegaram ao Brasil. Já no período de 2017 a 2022, 457.003 pessoas se estabeleceram no Brasil.
Apesar desse crescimento, os imigrantes internacionais representam apenas 0,5% da população total no país.
Aumenta o número de latinos, cai o de europeus
Do total dos moradores estrangeiros, 72% são latino-americanos, e essa é a principal mudança no perfil dos imigrantes internacionais.Pela 1ª vez em 100 anos, europeus não são maioria dos imigrantes internacionais no Brasil.
A população de estrangeiros e naturalizados brasileiros nascidos na América Latina passou de 183.448 em 2010 para 646.015 em 2022. Em paralelo, houve uma redução entre os europeus de 263.393 para 203.284 no mesmo período.
Essa mudança se deve a dois fatores. O primeiro, menos importante, é a queda do número de portugueses de 137.972 em 2010 para 104.345 em 2022 —eles formavam o grupo mais numeroso no país.
O segundo, mais relevante, é o aumento de venezuelanos em todas as regiões do país. Em 2010, havia 2.869 venezuelanos no Brasil; em 2022, esse número saltou para 271.514.
Sobre o fluxo de venezuelanos, destaca-se sua influência na população de Roraima. De acordo com o Censo 2022, 12,84% da população do estado é de estrangeiros, principalmente venezuelanos.
País quase sem imigrantes internacionais
Conforme citado anteriormente, o Brasil tem apenas 0,5% de imigrantes internacionais, mesmo com o aumento da última década.
A redução do total de estrangeiros e naturalizados brasileiros até o Censo 2010 está associada aos efeitos da mortalidade dos estrangeiros de idade mais avançada que chegaram ao Brasil em décadas anteriores, que não foi compensado pela chegada de novos imigrantes no período.
O último censo a registrar aumento do número de indivíduos estrangeiros e naturalizados brasileiros no Brasil tinha sido o Censo Demográfico de 1960.