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Indígenas denunciam intimidação policial após retomada de território contra o uso de agrotóxicos por fazendeiros

Indígenas Kaiowá e Guarani tentam impedir a pulverização descontrolada de agrotóxicos por parte de fazendeiros
Um avião agrícola.

Um avião agrícola.

— Reprodução/Pexels

22 de setembro de 2025

Indígenas da etnia Guarani e Kaiowá realizaram a retomada da Fazenda Ipuitã, território dentro dos limites da Terra Indígena (TI) Guyrakorá, na cidade de Caarapó (MS). A ação busca impedir a pulverização descontrolada de agrotóxicos na comunidade.

Em nota, publicada no último domingo (21), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) informou que as lideranças denunciaram abordagem ostensiva das forças de segurança. Segundo o conselho, policiais civis e militares, junto ao Departamento de Operações de Fronteira (DOF), estiveram no local e ameaçaram levar indígenas presos.

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Os policiais teriam alegado que havia reféns na retomada e, com a resistência do grupo indígena, informaram que retornariam com reforços.

O comunicado apontou também que a área já foi declarada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) como de ocupação tradicional, mas ainda aguarda a conclusão do processo de homologação. 

Ainda de acordo com o conselho, o território indígena já sofreu com violências decorrentes de conflitos fundiários, como remoções forçadas, ameaças, agressões e atropelamentos. A entidade demonstrou receio com a possibilidade de novos ataques. 

A organização recorda que diversos agrotóxicos usados pelos ruralistas já foram alvo de denúncias nacionais e internacionais. Na Justiça, o Ministério Público Federal solicitou a apuração e providências sobre os responsáveis pela pulverização aérea e terrestre de agrotóxicos contra aldeias.

“Os Guarani e Kaiowá perderam quatro toneladas de sementes porque com o uso indiscriminado de agrotóxicos pelos fazendeiros, micro-organismos e insetos buscam alimentos e devoram as plantações dos indígenas – o que gera insegurança alimentar”, diz trecho da nota.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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