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RJ: exposição apresenta mais de 250 obras de artistas indígenas

Mostra reúne 54 artistas indígenas e apresenta pinturas, esculturas, fotografias e instalações que afirmam identidades, preservam memórias e resgatam saberes ancestrais
A artista Glicéria Tupinambá.

A artista Glicéria Tupinambá.

— Divulgação/Sesc Quitandinha

30 de agosto de 2025

O Centro Cultural Sesc Quitandinha, em Petrópolis (RJ), inaugurou no dia 23 de agosto uma das maiores exposições já realizada no Brasil com obras de artistas indígenas: “Insurgências Indígenas: Arte, Memória e Resistência”. Com 250 obras, a mostra traz uma potente ocupação artística e simbólica conduzida por 54 artistas indígenas de norte a sul do país, representando povos como os Tukano, Desana, Tikuna, Mbya Garani, Xavante, Karapotó, Tupinambá, Palikur-Arukwayene, entre outros.

A exposição tem curadoria de Sandra Benites (educadora, antropóloga, pesquisadora e ativista indígena) e Marcelo Campos (curador-chefe do Museu de Arte do Rio – MAR), com assistência curatorial de Rodrigo Duarte (artista visual e ativista socioambiental). A produção executiva é assinada por Vera Nunes (fundadora da Gentilização).

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A mostra propõe uma experiência viva: ao invés de uma abertura única, o público foi convidado a acompanhar múltiplas etapas ao longo do período expositivo. Os encontros públicos chamados Tata Ypy (em Guarani, “a origem do fogo”), que tiveram início em maio, funcionam como rodas de conversa e compartilhamento de saberes ancestrais e de luta, refletindo sobre a atualidade do que é ser indígena no Brasil. Cada fogueira é um espaço de troca de saberes, preservação da memória oral e afirmação da resistência cultural.

Na sequência, a exposição propõe um processo artístico e curatorial de ocupação do Centro Cultural Sesc Quitandinha com instalações, gravuras, fotografias, pinturas, ilustrações e esculturas, trazendo múltiplas linguagens que afirmam a força da diversidade como estratégia de resistência dos povos indígenas.

“Ao trazer artistas de norte a sul do país, a exposição amplia a visibilidade da produção artística indígena, ao mesmo tempo em que relaciona contextos distintos, como as discussões de gênero, direito à terra, memória, repatriação, tecnologias ancestrais em relação a cultivo dos alimentos, entre outras lutas políticas, mostrando as pautas recorrentes no movimento indígena”, sublinha Marcelo Campos.

Marcelo também destaca a presença de grupos indígenas no momento das fogueiras, como as lideranças da Aldeia Maracanã, um importante território indígena do Rio de Janeiro. “Esse envolvimento enriquece o diálogo sobre a produção dos artistas indígenas convidados e mostra a diversidade tão marcante de povos e linguagens.” 

A curadora Sandra Benites reafirma que a resistência segue forte na luta pela vida e pelo território: “A história do Brasil nunca foi contada por nós, povos indígenas. Sempre foi narrada a partir de um olhar externo, que nos reduz ao passado e reforça o apagamento. Seguimos aqui, insurgindo em muitas formas: resistindo ao silêncio imposto sobre nossas línguas, enfrentando invasões em nossos territórios, sobrevivendo à violência contra nossas mulheres e à tentativa de nos uniformizar em um único fenótipo, uma só maneira de existir”, observa a curadora.

“Insurgências Indígenas nasce para romper com esse imaginário colonial que ainda insiste em negar nossa diversidade. Somos indígenas de muitas cores e corpos, de cabelos lisos ou encaracolados, vivendo tanto nas cidades quanto nos territórios. Essa pluralidade muitas vezes é invisibilizada, quando não corresponde ao estereótipo, não é reconhecida como indígena. Esse não-lugar é também um espaço de luta”, explica.

Destaques da exposição

De acordo com Vera Nunes, produtora executiva, trata-se de uma exposição inédita e histórica com uma dimensão muito grande de técnicas artistas, diversidade de gênero, diversidade de territórios e narrativas.

“Produzir essa exposição foi um mergulho em diversas histórias, saberes e narrativas, através da poética de mais de 50 artistas, que contemplam todas as regiões do país. Reunir mais de 250 obras, que dialogam com a insurgência social, cultural e política desses povos; e trazer toda essa diversidade de técnicas artísticas, territórios e vivências é algo inédito em nosso país. Estamos honrados em partilhar esse legado com o público”.

Entre as obras apresentadas, destacam-se um manto Tupinambá desenvolvido por Glicéria Tupinambá. Os mantos Tupinambá são vestimentas sagradas feitas de penas de aves e utilizadas por lideranças indígenas do povo Tupinambá antes da colonização europeia.  

Também destaca-se a obra “Alicerce”, de Andrey Guaianá Zignnatto (povo Dofurêm Guaianá), que subverte a lógica colonial ao erguer blocos de concreto sobre cerâmicas com grafismos indígenas; “Maywaka”, de Keyla Palikur (povo Palikur-Arukwayene), uma releitura digital de imagens históricas que reaviva memórias espirituais; “Cardume II”, de Ziel Karapotó; e instalações como “Avati Morotî”, de Michely Kunhã Poty, “A memória que hoje volta a brotar”, de Tamikua Txihi, e as “Bonecas Anambé”, de Lia e Luakam Anambé.

A exposição propõe valorizar, visibilizar e fortalecer as narrativas indígenas por meio da arte, da memória ancestral e da resistência. “Insurgência Indígenas: arte, memória e resistência” busca desconstruir estereótipos, refletir sobre o que é ser indígena num país tão complexo, e revelar a potência da arte como forma de levante artístico, político e poético.

Serviço

Exposição “Insurgências Indígenas: Arte, Memória e Resistência”

Visitação: Terças a domingos e feriados, das 10h às 17h

Local: Centro Cultural Sesc Quitandinha (Av. Joaquim Rolla, nº 2, Quitandinha – Petrópolis/RJ)

Entrada gratuita

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