Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que, mesmo com um avanço registrado, a população indígena segue subrepresentada no campo acadêmico brasileiro.
Em 2023, apenas 252 dos chefes de grupo de pesquisa eram pesquisadores indígenas, valor que representa 0,38% do total. Destes, somente 0,16% são mulheres indígenas.
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Realizado com dados do Censo do Diretório dos Grupos de Pesquisa (DGP) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o artigo foi publicado na última sexta-feira (19) e traz um panorama por áreas do conhecimento de 2000 a 2023.
Mesmo com o índice abaixo de 1%, o Ipea indica um crescimento de 50% em relação ao registrado há 23 anos. Segundo o Ipea, no primeiro ano da série histórica, o Brasil contava com 46 líderes de povos originários (0,25% do total). À época, a presença de mulheres indígenas somava 0,06%.
De acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país abriga 391 povos e 295 línguas indígenas. Também foi analisado um crescimento de 89% da população indígena, que passou de 897 mil em 2010 para quase 1,7 milhão de pessoas na década seguinte.
Para Raquel Mota Mascarenhas Pataxó, pesquisadora do CNPq e líder do grupo de pesquisa Wayrakuna, a presença indígena nesses espaços é crucial para reverter a lógica acadêmica tradicional, que classifica os povos originários somente como objetos de pesquisa.
Em nota ao Ipea, Raquel Pataxó reflete que, após a inserção nas universidades, os pesquisadores indígenas ainda enfrentam dificuldades para serem legitimados como tais.
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“Para nós, indígenas mulheres, conquistar esse espaço na academia é um processo que envolve muita força, atravessamentos e também profunda responsabilidade. Não se trata apenas de uma trajetória individual, mas de um caminho coletivo, tecido com nossas ancestrais, nossas comunidades e territórios, nossas lutas”, destaca.