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Menos de 1% dos líderes de grupos de pesquisa são indígenas

Apesar do baixo percentual, o número representa um crescimento de 50% em 23 anos
Pesquisadores indígenas Wauja, do Alto Xingu, durante trabalho de curadoria no Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás.

Pesquisadores indígenas Wauja, do Alto Xingu, durante trabalho de curadoria no Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás.

— Reprodução/UFG

20 de abril de 2026

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que, mesmo com um avanço registrado, a população indígena segue subrepresentada no campo acadêmico brasileiro. 

Em 2023, apenas 252 dos chefes de grupo de pesquisa eram pesquisadores indígenas, valor que representa 0,38% do total. Destes, somente 0,16% são mulheres indígenas. 

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Realizado com dados do Censo do Diretório dos Grupos de Pesquisa (DGP) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o artigo foi publicado na última sexta-feira (19) e traz um panorama por áreas do conhecimento de 2000 a 2023. 

Mesmo com o índice abaixo de 1%, o Ipea indica um crescimento de 50% em relação ao registrado há 23 anos. Segundo o Ipea, no primeiro ano da série histórica, o Brasil contava com 46 líderes de povos originários (0,25% do total). À época, a presença de mulheres indígenas somava 0,06%.

De acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país abriga 391 povos e 295 línguas indígenas. Também foi analisado um crescimento de 89% da população indígena, que passou de 897 mil em 2010 para quase 1,7 milhão de pessoas na década seguinte.  

Para Raquel Mota Mascarenhas Pataxó, pesquisadora do CNPq e líder do grupo de pesquisa Wayrakuna, a presença indígena nesses espaços é crucial para reverter a lógica acadêmica tradicional, que classifica os povos originários somente como objetos de pesquisa. 

Em nota ao Ipea, Raquel Pataxó reflete que, após a inserção nas universidades, os pesquisadores indígenas ainda enfrentam dificuldades para serem legitimados como tais. 

Leia mais: Centro inédito no Brasil vai documentar e preservar 175 línguas indígenas ameaçadas

“Para nós, indígenas mulheres, conquistar esse espaço na academia é um processo que envolve muita força, atravessamentos e também profunda responsabilidade. Não se trata apenas de uma trajetória individual, mas de um caminho coletivo, tecido com nossas ancestrais, nossas comunidades e territórios, nossas lutas”, destaca.  

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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