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Insônia, ansiedade e perda auditiva: estudo aponta impactos de parques eólicos em comunidades

Segundo a pesquisa, em alguns casos a proximidade entre as torres eólicas e as residências chegou a 100 metros
Parque Eólico Chafariz, em Santa Luzia (PB).

Parque Eólico Chafariz, em Santa Luzia (PB).

— Reprodução/Ricardo Stuckert/PR

9 de fevereiro de 2026

Um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Universidade de Pernambuco (UPE) apontou os impactos de aerogeradores de energia eólica na saúde de moradores das comunidades rurais de Caetés, no Agreste pernambucano.

O levantamento destaca a comunidade do Sítio Sobradinho, onde foram mapeadas 55 residências e 83 torres eólicas. Os impactos, classificados pela pesquisa como graves e contínuos, ocorreram no contexto da saúde física, mental e social da população.

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A distância média dos domicílios em relação às torres, de 411 metros, é apontada como um dos principais fatores para o adoecimento. Em casos extremos, o intervalo varia entre 100 e 900 metros.

Dos 54 moradores entrevistados, 77,3% relataram níveis elevados de estresse e 75%, perda de qualidade do sono. Casos recorrentes de insônia foram observados em 77,7% dos participantes. Outros sintomas frequentes incluíram irritação nos olhos (68,2%), ansiedade (63,6%), dores de cabeça (61,4%) e tontura ou vertigem (59,1%).

Queixas relacionadas à audição e ao comportamento também foram registradas. Cerca de 56,8% das pessoas ouvidas indicaram diminuição da capacidade auditiva. O mesmo percentual foi identificado nos casos de irritabilidade ou agressividade. Outros 54,5% citaram palpitações cardíacas.

De acordo com o levantamento, 31% dos moradores apresentaram alterações na frequência respiratória e diagnósticos de pressão alta foram identificados em 25%. A depressão foi citada em 22,7% das respostas. 

Para a docente da UPE e colaboradora do Programa de Saúde Pública da Fiocruz Pernambuco, Wanessa Gomes, os dados evidenciam a relação direta entre a proximidade das residências e a intensidade dos problemas. A pesquisadora ressalta a necessidade de maior atenção do poder público quanto ao ordenamento territorial.

“Isso reforça a importância de uma legislação que garanta o distanciamento adequado entre as torres e as residências. Há relatos de quedas de torres e de hélices próximas às casas, além de barulhos intensos, especialmente durante períodos de chuva, o que gera um ambiente constante de tensão”, declarou em trecho do estudo.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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