Segundo a Defesa Civil de Gaza, mais de 33 palestinos foram mortos e cerca de 100 foram feridos em um ataque israelense realizado nesta quarta-feira (18).
Este é o segundo ataque em menos de 24 horas realizado pelas forças israelenses.
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No dia anterior, mais de 50 pessoas foram mortas próximas a um centro de distribuição de ajuda no sul do território. Testemunhas ouvidas pela AFP informaram que foram utilizados drones militares e tanques. Com isso, mais de 85 palestinos foram mortos por Israel em apenas dois dias.
No momento dos ataques, milhares de pessoas aguardavam a abertura dos centros de distribuição de mantimentos. De acordo com o porta-voz da Defesa Civil, Mahmud Bassal, foram mais de três horas de disparos contra uma multidão de civis na área de Nuseirat, no centro da Faixa de Gaza.
Massacre em curso
Em carta aos líderes da União Europeia, o secretário-geral do Médicos Sem Fronteiras (MSF), Chris Lockyear, denunciou que há um massacre em curso contra a população palestina, perpetrado por Israel.
A entidade destaca que, no momento, 13 mil pessoas precisam ser evacuadas com urgência para tratamento médico, das quais mais de 4.500 são crianças. O total de mortes causadas pelos militares israelenses desde o início da guerra já supera 54 mil, apontam as autoridades de saúde de Gaza.
Após uma pesquisa com a própria equipe, o MSF alertou para a alta mortalidade infantil. Cerca de 40% das pessoas que a equipe da organização conhecia e que morreram em Gaza tinham menos de dez anos.
Na carta, o secretário-geral acusou a Fundação Humanitária de Gaza (GHF), apoiada pelos Estados Unidos e por Israel, de instrumentalizar a ajuda. Desde que iniciou as atividades, em 27 de maio, centenas de pessoas foram mortas alvejadas em locais de distribuição da GHF.
“A GHF parece ser uma manobra cínica para fingir conformidade com o Direito Internacional Humanitário. Na prática, usa a ajuda como ferramenta para deslocar forçadamente pessoas, como parte de uma estratégia mais ampla de limpeza étnica da Faixa de Gaza, e para justificar a continuação desta guerra sem limites”, destaca.
O documento pede o cessar-fogo imediato e incondicional, acesso humanitário irrestrito e o respeito ao Direito Internacional Humanitário. Lockyear também afirma que Israel está “destruindo sistematicamente as condições necessárias para a vida palestina”.
“Esta catástrofe é provocada deliberadamente por decisões humanas; prolongada e viabilizada por uma comunidade internacional que ainda não teve coragem ou determinação para detê-la”, diz trecho da nota.