A jornalista e narradora do SporTV, Letícia Pinho, denunciou nesta sexta-feira (12) ter sido alvo de ataques racistas na rede social X (antigo Twitter) após uma publicação em que destacou participar de uma transmissão composta apenas por mulheres negras.
O caso teve origem em um post feito em janeiro. Na publicação, a jornalista comentou ter presenciado um momento histórico ao participar, pela primeira vez, ao menos do que se lembrava, de uma transmissão com narradora, comentarista e repórter negras. Na ocasião, ela esteve ao lado das jornalistas Rafaelle Seraphim e Mariana Dionísio.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
A postagem teve grande repercussão e a narradora passou a receber ataques racistas. Diante da situação, a jornalista decidiu silenciar a publicação, mas relatou que um perfil continuou fazendo comentários com insultos e ofensas racistas.
O usuário afirmou que “não queria comentar nada”, mas escreveu que “o Grupo Globo é abolicionista” e que teriam “escalado uma ex-mucama para narrar e duas recém-alforriadas para comentar e reportar”.
Em janeiro, fiz uma publicação celebrando estar em uma transmissão com outras duas mulheres negras. Recebemos MUITOS ataques, eu silenciei a publicação, mas algo como isso aqui não dá pra deixar passar.
— letícia pinho (@narradorapreta) March 13, 2026
É uma pessoa com um perfil dedicado a ser abertamente misógino e racista. pic.twitter.com/CFv8COkfWr
Na mesma publicação, outros comentários também continham incitação ao racismo e à violência de gênero, com frases como “se fossem brancas, não seria bom?” e “a única qualidade é ser negra?”, entre outras ofensas.
A jornalista Rafaelle Seraphim também se manifestou nas redes sociais, denunciou o ocorrido e pediu que usuários denunciassem a conta responsável pelas mensagens. Além dos ataques racistas, o perfil direcionou ofensas machistas e misóginas contra outras jornalistas esportivas, com incitação à violência sexual.
Letícia afirmou ainda que medidas já estão sendo tomadas pela área jurídica para identificar e responsabilizar o autor das mensagens pelo crime.
Segundo o estudo “Brasil, mostra sua cara: retrato das vítimas de racismo online e o anonimato de seus agressores” da Aláfia Lab, mulheres negras são as principais vítimas de casos de racismo e misoginia em discursos de ódio nas redes sociais. Do total, 91% dos casos se referem a pessoas negras.