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Levantamento indica fechamento sistêmico de escolas rurais no Brasil

Fórum Nacional de Educação do Campo denuncia extinção de mais de 110 mil unidades em territórios rurais desde 2000
Escola Estadual Pedro Gomes de Lima, no centro do Projeto de Assentamento Walter Arce, em Bujari (AC).

Escola Estadual Pedro Gomes de Lima, no centro do Projeto de Assentamento Walter Arce, em Bujari (AC).

— Reprodução/Mardilson Gomes/SEE

27 de janeiro de 2026

O Fórum Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas (FONEC) denunciou, na segunda-feira (26), o fechamento sistemático de escolas nos territórios tradicionais e comunidades camponesas em diversos estados brasileiros. 

Em nota pública, a organização destaca que o fenômeno se caracteriza por meio de decisões administrativas autoritárias, antidemocráticas e violadoras do direito constitucional à educação. A prática afeta diretamente crianças, adolescentes, jovens e adultos das comunidades camponesas, ribeirinhas, indígenas, quilombolas, extrativistas e agricultura familiar.

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Segundo a Fonec, entre 2000 e 2024, foram extintas 110,7 mil escolas nos territórios rurais e 53 mil nos territórios urbanos. No último ano analisado, mais da metade (1.585) das unidades de ensino estavam em áreas rurais. Os dados são do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação do Campo, das Águas e das Florestas nas Amazônias (Geperuaz), da Universidade Federal do Pará (UFPA). 

A nota indica que, de acordo com o Geperuaz, em 2024, 31.321 unidades de ensino estavam paralisadas em todo o país: 18.201 nos territórios rurais e 13.120 escolas nos territórios urbanos. 

“Ao negar o direito de acesso à escola pública no território em que se vive, milhares de famílias ficam expostas ao abandono institucional e aprofundam desigualdades históricas”, diz trecho do documento.

Entre as práticas recorrentes que ocasionam o fechamento, a entidade ressalta a edição de portarias que estabelecem número mínimo de estudantes por turma, muitas vezes sem fundamento no marco legal vigente ou nos conselhos de educação.  

“Os governos mascaram sua intencionalidade com o argumento do reordenamento educacional. Contudo, não existe legislação que permita aos gestores educacionais o fechamento de escolas do campo, indígenas e quilombolas. Trata-se de uma escolha política que infringe a legislação e sacrifica a educação pública”.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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