PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Licença para Petrobras explorar petróleo na Foz do Amazonas ameaça povos tradicionais, alerta CONAQ

Organização quilombola critica liberação do Ibama para perfuração de poço da Petrobras e alerta para riscos ambientais e sociais na região amazônica
Edifício sede da Petrobras, no Rio de Janeiro.

Edifício sede da Petrobras, no Rio de Janeiro.

— Reprodução/Fernando Frazão/Agência Brasil

22 de outubro de 2025

A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) publicou, na terça-feira (21), uma nota de repúdio à autorização concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a perfuração de um poço exploratório da Petrobras na região da Foz do Amazonas. 

Na última segunda-feira (20), o Ibama licenciou a estatal para explorar a possibilidade de extração de petróleo e gás natural no bloco FZA-M-059, em águas profundas do Amapá. A região está a 500 km da Foz do rio Amazonas e a 175 km da costa, na Margem Equatorial Brasileira.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

A nota alerta que a permissão representa um grave retrocesso nas políticas ambientais e climáticas do Brasil, incompatível com o momento de preparação para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). O evento, que ocorre em novembro, na cidade de Belém (PA), reunirá líderes nacionais e internacionais para debater a mitigação da crise climática.

O movimento quilombola ressalta que a exploração de combustíveis fósseis na região ameaça ecossistemas únicos e coloca em risco a biodiversidade, a pesca artesanal, os direitos territoriais e a segurança das populações tradicionais da costa norte do país.

“A decisão ignora o papel central das comunidades quilombolas como protagonistas e guardiões na conservação ambiental: territórios quilombolas titulados historicamente demonstram menor desmatamento, maior retenção de carbono e, portanto, são essenciais para o cumprimento das metas climáticas nacionais”, diz trecho do comunicado.

A coordenação requer que nenhuma atividade exploratória seja iniciada antes da realização de consultas livres, prévias e informadas (CLPI) com as comunidades afetadas. 

A CONAQ também solicita a revisão dos impactos socioambientais sob a perspectiva da justiça racial, a titulação integral dos territórios quilombolas e a inclusão dos povos quilombolas nos mecanismos de financiamento climático.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano