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Mais de 90% dos mortos pela polícia no Pará e em outros 3 estados em 2024 eram negros

De acordo com estudo, que analisou o perfil das vítimas da letalidade policial em nove estados, a grande maioria das vítimas eram jovens
A imagem mostra viaturas da Polícia Militar do Estado do Pará.

A imagem mostra viaturas da Polícia Militar do Estado do Pará.

— Reprodução/Marco Santos/Agência Pará

6 de novembro de 2025

No último ano, cerca de 86,2% das 4.068 pessoas mortas em decorrência de intervenção policial eram negras. Os dados são do boletim “Pele Alvo: crônicas de dor e luta”, divulgado pela Rede de Observatórios da Segurança nesta quinta-feira (6).

A sexta edição do levantamento indicou a prevalência de vítimas negras em todos os nove estados analisados. São eles: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. 

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Segundo o estudo, o perfil majoritário das vítimas é jovem. Pessoas entre 18 e 29 anos representaram 57,1% dos casos, somando 2.324 registros. Em outras 297 ocorrências, as vítimas eram crianças e adolescentes de 12 a 17 anos. Também houve um caso envolvendo uma criança de 0 a 11 anos.

Os estados do Pará, Bahia, Pernambuco e Amazonas apresentaram uma proporção de negros mortos por policiais acima de 90%. Enquanto as pessoas negras representam 79,7% da população baiana, elas correspondem a 95,7% dos mortos. Nas cidades pernambucanas, negros são 65,3% da população e 92,6% dos mortos. 

Cerca de 79,7% da população paraense é negra, assim como 90,8% dos mortos pela polícia. No Amazonas, os percentuais são, respectivamente, 73,7% e 90%.

Considerando o número absoluto de vítimas negras por estado, a Bahia (1.298), o Pará (522), o Rio de Janeiro (546) e São Paulo (511) concentram o maior volume de casos. 

Em entrevista à Alma Preta, o pesquisador Lucas Patrick Alves Moraes, que participou do levantamento, conta que o cenário da letalidade policial nas cidades paraenses contrasta com as preparações para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30).

Moraes explica que o grupo de pessoas vulnerável às crises climáticas também é o grupo impactado pelo racismo estrutural e institucional, que possui relação direta com a letalidade policial.

“Quando a gente analisa que 2024 teve 597 pessoas mortas por intervenção policial, 67 vítimas a mais do que no ano anterior, onde se encontram essas vítimas? Elas se concentram em territórios periféricos dos grandes cinturões urbanos de Belém ou do Pará”, conta.

Do total de vítimas, 522 eram negras. A maioria das mortes no Pará, segundo o pesquisador, eram de jovens sem ensino fundamental e de territórios periféricos, o que indica um perfilamento racial nas intervenções policiais. 

“São vítimas de um racismo institucional, um racismo estrutural e um racismo ambiental, já que nesses territórios existe uma ineficiência da segurança pública. Os jovens negros deveriam participar e entender sobre a COP30, já que eles são vítimas de racismo ambiental, são geralmente excluídos e estão sendo mortos pela mão do estado.”, conclui.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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