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Inteligência Artificial potencializa desinformação climática antes da COP30 no Brasil, aponta relatório

Relatório aponta aumento de 267% em notícias falsas sobre o clima; vídeos falsos de inundações em Belém criados por IA circulam nas redes
Obra de infraestrutura para a COP30 em Belém, no dia 16 de junho de 2025.

Obra de infraestrutura para a COP30 em Belém, no dia 16 de junho de 2025.

— Carlos Fabal/AFP

6 de novembro de 2025

Um relatório de organizações que monitoram a desinformação climática alerta que a Inteligência Artificial (IA) potencializou a circulação de informações falsas sobre mudanças climáticas antes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que acontece em Belém (PA) de 10 a 21 de novembro.

O estudo, da coalizão Climate Action Against Disinformation (CAAD) e do Observatório da Integridade da Informação (OII), registrou um aumento de 267% na desinformação relacionada à cúpula entre julho e setembro de 2025.

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As mensagens circulam principalmente em vídeos curtos, montagens e comentários que estimulam reações indignadas. O relatório indica que sistemas de Inteligência Artificial têm sido empregados para criar conteúdos com estética jornalística, mas sem correspondência com dados verificáveis, contribuindo para o aumento da desinformação sobre o debate climático.

Segundo o relatório, esse tipo de desinformação pode resultar em campanhas de intimidação contra cientistas e ativistas. O professor Carlos Milani, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), foi citado no documento para reforçar esse risco.

A coalizão CAAD observa que o ativismo dos céticos do clima, agora potencializado por IA, ocorre em um contexto em que a opinião pública é majoritariamente favorável à defesa do meio ambiente – um contraste com as divisões frequentemente observadas no cenário político.

Casos recentes e alcance da desinformação

Entre os exemplos levantados, está o segundo vídeo mais visualizado no mês de agosto, que alcançou 1,9 milhão de pessoas. Ele apresenta uma mulher caminhando por becos supostamente em Belém para chegar a uma hospedagem anunciada a R$ 300 mil por semana durante a conferência. 

A apuração verificou que o vídeo é real, mas as imagens não foram gravadas em Belém. A gravação original foi feita em Tbilisi, capital da Geórgia, e mostra, inclusive, um trecho da fortaleza medieval de Narikala. A peça se enquadra na tática de desinformação “vídeo real fora de contexto”.

Outro caso identificado corresponde à tática de “túnel do tempo”. Uma turista aparece em vídeo criticando sujeira e a presença de urubus no entorno do Mercado Ver-o-Peso. A gravação é verdadeira, ocorreu em Belém, mas foi feita há dois anos. 

Desde então, o espaço passou por processo de revitalização, incluindo reformas estruturais, melhorias de iluminação e drenagem, e reorganização dos boxes da feira principal. A circulação do vídeo sem esta informação tem alimentado interpretações equivocadas sobre a situação atual da cidade.

A terceira técnica destacada no relatório envolve o uso de Inteligência Artificial para gerar imagens, depoimentos e textos simulando depoimentos reais. O recurso cria vídeos que imitam reportagens e relatos pessoais, sem elementos verificáveis de autenticidade. O material costuma ser compartilhado em redes de alta velocidade, como TikTok e Reels.

“O jornalista não existe, as pessoas não existem, a inundação não existe e a cidade não existe”, resumiu o OII sobre a falsificação.

No início do ano, a Agence France-Presse (AFP) investigou um documento atribuído ao Grok 3, a IA de Elon Musk, proprietário do X (ex-Twitter). O texto, ainda disponível online, rejeita sem base a credibilidade dos modelos climáticos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).


Apesar do cenário grave, o documento aponta um avanço positivo. Pela primeira vez, o tema da integridade da informação consta na agenda oficial de uma Conferência da ONU sobre o Clima. Os autores do estudo veem a inclusão do assunto na COP30 como um passo na direção correta para combater a desinformação climática.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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