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Manifesto global da teologia negra denuncia violência policial e genocídio negro

Documento do Movimento Negro Evangélico lançado em São Paulo reúne mais de 80 lideranças negras evangélicas de sete países
Imagem mostra uma mulher negra falando em um microfone.

Imagem mostra uma mulher negra falando em um microfone.

— Divulgação/Conferência Enegrecer

5 de novembro de 2025

O Movimento Negro Evangélico (MNE) acaba de lançar, em São Paulo, o Manifesto Global da Teologia Negra, documento que analisa e denuncia as estruturas coloniais e racistas ainda presentes na sociedade. O texto foi elaborado coletivamente durante a IV Consulta Internacional de Teologia Negra, realizada entre 18 e 21 de junho de 2025.

O manifesto reúne mais de 80 lideranças negras evangélicas de sete países, entre eles: Brasil, Colômbia, Cuba, África do Sul, Congo, Angola e Estados Unidos e propõe uma ação teológica em defesa da vida, da justiça e da dignidade humana.

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Lançado durante o Novembro Negro, o documento parte da experiência africana e afrodiaspórica, marcada pelo colonialismo, escravização e exclusão social, e reafirma a Teologia Negra como instrumento de denúncia. 

Diante das desigualdades e violências que atingem povos africanos e afrodescendentes, o movimento cita a recente chacina policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos, apontando o episódio como um retrato do racismo estrutural no país.

De acordo com o texto, também são denunciados o genocídio na Palestina e as guerras no Sudão, na Nigéria e na República Democrática do Congo, como conflitos sustentados pela lógica colonial de dominação e extremismo.

“Dirigimo-nos a todos os governantes para que assumam a responsabilidade de construir sociedades democráticas e, sobretudo, respeitem a autodeterminação dos povos africanos e indígenas. Como parte deste compromisso político, exigimos justiça reparadora como caminhos para a cura e a proteção da dignidade humana, pois não existe paz sem justiça”, aponta trecho do manifesto

Publicada em português, inglês e espanhol, a iniciativa  reúne nomes de referência como a teóloga afro-americana Lisa Sharon Harper, a reverenda sul-africana René August, o pastor batista Ronilson Pacheco e o diretor da Alliance Of Baptists Elijah Zehyoue. 

Entre os temas centrais, estão o compromisso com a justiça reparadora, a valorização da negritude como dom e resistência, e o chamado às igrejas para que se tornem espaços de acolhimento, especialmente de mulheres negras e pessoas LGBTQIAPN+.

“Diante do avanço de movimentos de extrema direita com agendas que ameaçam os povos africanos e afrodescendentes, o campo negro protestante brasileiro cumpre um papel central no debate global entre a igreja evangélica e uma vasta tradição de luta pela liberdade negra, esse manifesto denuncia as grandes violações que vivemos e traz saídas para os desafios que estamos enfrentando”, afirma Jackson Augusto, coordenador nacional do movimento em comunicado à imprensa. 

Conferência Enegrecer

A IV Consulta integrou a “Conferência Enegrecer: Negritudes para a Igreja do

Amanhã”, considerada o maior encontro de pessoas negras evangélicas já realizado. O evento aconteceu na Igreja Batista de Água Branca, em São Paulo, reunindo cerca de 500 participantes de 12 estados e representantes de mais de 60 igrejas. 

A programação incluiu mesas de debate, plenárias, devocionais e apresentações musicais, com a presença de nomes como Henrique Vieira, Iza Vicente e Brian Kibuuka.

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  • Thayná Santana

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