O Movimento Negro Evangélico (MNE) acaba de lançar, em São Paulo, o Manifesto Global da Teologia Negra, documento que analisa e denuncia as estruturas coloniais e racistas ainda presentes na sociedade. O texto foi elaborado coletivamente durante a IV Consulta Internacional de Teologia Negra, realizada entre 18 e 21 de junho de 2025.
O manifesto reúne mais de 80 lideranças negras evangélicas de sete países, entre eles: Brasil, Colômbia, Cuba, África do Sul, Congo, Angola e Estados Unidos e propõe uma ação teológica em defesa da vida, da justiça e da dignidade humana.
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Lançado durante o Novembro Negro, o documento parte da experiência africana e afrodiaspórica, marcada pelo colonialismo, escravização e exclusão social, e reafirma a Teologia Negra como instrumento de denúncia.
Diante das desigualdades e violências que atingem povos africanos e afrodescendentes, o movimento cita a recente chacina policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos, apontando o episódio como um retrato do racismo estrutural no país.
De acordo com o texto, também são denunciados o genocídio na Palestina e as guerras no Sudão, na Nigéria e na República Democrática do Congo, como conflitos sustentados pela lógica colonial de dominação e extremismo.
“Dirigimo-nos a todos os governantes para que assumam a responsabilidade de construir sociedades democráticas e, sobretudo, respeitem a autodeterminação dos povos africanos e indígenas. Como parte deste compromisso político, exigimos justiça reparadora como caminhos para a cura e a proteção da dignidade humana, pois não existe paz sem justiça”, aponta trecho do manifesto.
Publicada em português, inglês e espanhol, a iniciativa reúne nomes de referência como a teóloga afro-americana Lisa Sharon Harper, a reverenda sul-africana René August, o pastor batista Ronilson Pacheco e o diretor da Alliance Of Baptists Elijah Zehyoue.
Entre os temas centrais, estão o compromisso com a justiça reparadora, a valorização da negritude como dom e resistência, e o chamado às igrejas para que se tornem espaços de acolhimento, especialmente de mulheres negras e pessoas LGBTQIAPN+.
“Diante do avanço de movimentos de extrema direita com agendas que ameaçam os povos africanos e afrodescendentes, o campo negro protestante brasileiro cumpre um papel central no debate global entre a igreja evangélica e uma vasta tradição de luta pela liberdade negra, esse manifesto denuncia as grandes violações que vivemos e traz saídas para os desafios que estamos enfrentando”, afirma Jackson Augusto, coordenador nacional do movimento em comunicado à imprensa.
Conferência Enegrecer
A IV Consulta integrou a “Conferência Enegrecer: Negritudes para a Igreja do
Amanhã”, considerada o maior encontro de pessoas negras evangélicas já realizado. O evento aconteceu na Igreja Batista de Água Branca, em São Paulo, reunindo cerca de 500 participantes de 12 estados e representantes de mais de 60 igrejas.
A programação incluiu mesas de debate, plenárias, devocionais e apresentações musicais, com a presença de nomes como Henrique Vieira, Iza Vicente e Brian Kibuuka.