Ao chamado da Marcha das Mulheres Negras, cerca de 50 comunicadoras e jornalistas de diversas organizações, mídias independentes e de massa se reuniram nesta semana em São Paulo para discutir estratégias de divulgar as pautas do movimento.
Em um café afetuoso na manhã fria de terça-feira (1º), estavam presentes mulheres cis e trans de diferentes idades e experiência de vida. Elas conversaram sobre o objetivo de pensar e produzir pautas que divulguem o projeto político da Marcha.
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O esforço é motivado pelo grande evento deste ano: a II Marcha das Mulheres Negras, que está agendada para 25 de novembro, em Brasília. Com o lema “Reparação e Bem Viver”, o movimento acontece uma década após a primeira Marcha, que reuniu cerca de 100 mil mulheres negras em 2015.
“Nós marchamos não apenas para enunciar um projeto em torno das mulheres negras — até porque o projeto das mulheres negras é um projeto de país. A gente marcha com as nossas dores, com as nossas alegrias, com as nossas inteligências, com as nossas estratégias, com a nossa expertise para anunciar outro mundo possível”, avalia a jornalista e doutora em comunicação Rosane Borges.
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Mas o olhar da comunicação não deve se restringir à marcha do dia 25 de novembro. Uma das organizadoras da II Marcha, a jornalista Juliana Gonçalves, reforçou a necessidade de pautar os temas do movimento de forma perene. Isso porque, explica, o projeto político do Bem Viver intersecciona diferentes áreas da sociedade.
“Trata-se da continuidade da luta política e organizativa das mulheres negras e todas nós fazemos parte disso. A Marcha não é um momento específico, é a ampliação da luta antirracista, a conscientização de novas mulheres”, disse a jornalista.
Outros encontros nacionais com o objetivo de organização e mobilização de mulheres negras acontecerão até novembro. Neste sábado, às 14h, terá um evento de abertura do Julho das Pretas na sede da Apeoesp no metrô República, no centro de São Paulo.
Os principais objetivos da II Marcha das Mulheres Negras
O Bem-Viver é um conceito central na II Marcha das Mulheres Negras e orienta os objetivos do movimento. Mas o que é o Bem Viver?
O conceito do Bem Viver, originado a partir de experiências indígenas e andinas, se traduz como uma prática coletiva oriunda dos conhecimentos de povos originários. Seus pilares são os valores comunitários, a preservação da natureza como detentora de direitos, a contraposição ao capitalismo, entre outros.
Em sua dissertação de mestrado, intitulada “O Bem Viver em Narrativas de Mulheres Negras“, Juliana Gonçalves resgata a história do início desse diálogo no país através da escritora e ativista Nilma Bentes. Ela é uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e umas das precursoras do Bem Viver no Brasil.
Foi por meio da atuação de Nilma Bentes que o Bem Viver passou a ser introduzido na Marcha das Mulheres Negras, em 2015. Na época, os temas eram o combate ao racismo, à violência e pelo bem viver como nova utopia.
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O segundo conceito é reparação histórica, já que o Estado brasileiro deve muito à sua população negra e precisa investir mais em ações que indenizem os danos históricos.
Veja abaixo os objetivos em síntese, organizados pela Marcha:
- Reparação histórica e bem viver. reconhecimento e reparação pelos danos históricos causados à população negra, com foco na garantia de direitos e bem viver para as mulheres negras.
- Fortalecimento do movimento: ampliar a participação e a organização de mulheres negras em todos os estados e regiões do Brasil, construindo um movimento forte e atuante.
- Interseccionalidade: fortalecer o debate sobre a interseccionalidade entre raça, gênero e classe, reconhecendo as experiências e necessidades específicas das mulheres negras.
- Políticas públicas: exigir a implementação de políticas públicas eficazes para as mulheres negras, visando a igualdade racial e o combate ao racismo.
- Visibilidade: dar visibilidade à luta das mulheres negras e suas demandas, fortalecendo sua atuação na sociedade e na luta por direitos.
Acesse e compartilhe informações sobre a II Marcha Nacional de Mulheres Negras 2025 no site oficial: www.marchadasmulheresnegras.com/.