A matemática afro-americana Gladys West morreu aos 95 anos no último domingo (18). Ela foi pioneira no desenvolvimento do modelo matemático que deu origem ao Sistema de Posicionamento Global (GPS). A informação foi confirmada pela família em uma publicação nas redes sociais, segundo o site especializado Engadget. A causa da morte não foi divulgada.
Considerada a “Mãe do GPS”, Gladys West nasceu em 17 de outubro de 1930, em Sutherland, no estado da Virgínia (EUA), em uma família de agricultores da zona rural. Nessa época, o período era marcado pela segregação racial no país.
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Após concluir o ensino médio, conquistou uma bolsa de estudos integral e ingressou no curso de Matemática da Virginia State College (atual Virginia State University), uma instituição historicamente negra. Concluiu a graduação em 1952, integrando a primeira turma do curso, e obteve o mestrado em Matemática em 1955.
Em 1956, foi contratada para trabalhar com programação de computadores no Campo de Provas Naval de Dahlgren, na Virgínia. Ela se tornou a segunda mulher negra contratada pela instituição.
Seu principal feito ocorreu a partir da década de 1970, quando utilizou algoritmos complexos para calcular variações baseadas em dados de satélite e desenvolver modelos matemáticos da forma da Terra. Esses estudos serviram de base para a criação do GPS, hoje amplamente utilizado em sistemas de navegação em todo o mundo.
West aposentou-se da ciência em 1998, após 42 anos de trabalho no Centro Naval de Dahlgren.
Reconhecimento tardio
Em nota, a Virginia State University publicou um comunicado de pesar, destacando o legado da ex-aluna e sua contribuição para a ciência e para a instituição.
“A Dra. West será lembrada não apenas por seu trabalho pioneiro em ciência e tecnologia, mas também pelo exemplo que representou para gerações de estudantes, especialmente aqueles de comunidades historicamente sub-representadas”, afirmou a universidade.
Apesar da relevância de suas contribuições, o trabalho de West permaneceu sem reconhecimento por décadas, marcado por barreiras raciais e de gênero nos EUA.
Apenas em 2018, ela foi incluída no Hall da Fama dos Pioneiros Espaciais e de Mísseis da Força Aérea dos EUA. No mesmo ano, recebeu o prêmio de Ex-Aluna do ano pelo Prêmio das Universidades e Faculdades Historicamente Negras (HBCUs).