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Movimento negro convoca atos pelo Brasil contra chacinas e morte de Mãe Bernadete

Protestos ocorrem em 14 estados; País acompanhou chacinas cometidas por forças de segurança em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia
Imagem mostra manifestação do movimento negro

Foto: Foto: Pedro Borges/Alma Preta

21 de agosto de 2023

Organizações políticas do movimento negro convocam manifestações em 14 estados, no dia 24 de agosto, quinta-feira, contra a morte de Mãe Bernadete e as chacinas que ocorreram em São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro. O encontro é convocado por duas frentes de entidades, a Coalizão Negra por Direitos e a Convergência Negra, que aglutinam grupos como Uneafro Brasil, Movimento Negro Unificado (MNU), CONEN, Unegro, Geledés, entre outras.

O ato foi definido no dia 10 de agosto, depois de uma reunião virtual com a participação de 250 pessoas. A data também foi escolhida como uma forma de recordar a morte de Luiz Gama, ativista abolicionista, figura importante da história brasileira.

Em São Paulo, o ato está marcado para o vão livre do MASP, na Avenida Paulista, com concentração marcada para às 18h. Simone Nascimento, articuladora do MNU e codeputada estadual (PSOL-SP), destaca a importância do ato. “Os movimentos negros se uniram para provocar uma mudança na política de segurança pública. É inadmissível que o número de homicídios continue aumentando no Brasil. Não haverá democracia enquanto houver racismo”.

As organizações construíram um calendário de lutas, com mobilizações mensais até o dia 20 de novembro, data em que se recorda a Consciência Negra no Brasil. O objetivo é demandar reivindicações ao STF, aos Ministérios Públicos Estaduais e Federal e ao Congresso Nacional. Entre as exigências, estão o pedido ao STF de proibir operações policiais com caráter reativo em comunidades e favelas e a criação de uma lei federal que exija câmeras de segurança nos uniformes dos agentes de segurança, entre outras demandas.

Relembre os casos

Os manifestantes protestam contra a morte de Mãe Bernadete, assassinada no Quilombo Pitanga dos Palmares, no dia 17 de agosto, quinta-feira. Dois homens armados e com capacete invadiram a casa da líder quilombola e dispararam contra ela, que faleceu no local. Ela estava sob o programa de proteção de defensores de direitos humanos, mas os familiares contaram que os policiais ficavam cerca de 30 minutos por dia com Mãe Bernadete.

O ato é também uma resposta às chacinas policiais ocorridas no Guarujá, litoral paulista, quando 19 pessoas foram mortas pela chamada Operação Escudo, ação iniciada depois da morte do policial da Rota, Patrick Reis, em 27 de junho.

No mesmo período, houve ações policiais no Rio de Janeiro e na Bahia. Na capital fluminense, no complexo da Penha, policiais mataram 10 pessoas no dia 2 de agosto, sob a alegação de combater o crime organizado na região. Na Bahia, as forças policiais tiraram a vida de 32 pessoas, entre 28 de julho e 4 de agosto, depois de operações policiais também sob a justificativa de combate ao crime organizado.

Atos confirmados:

– Aracaju (SE), 15h, Praça Camerino
– Belo Horizonte (MG), 17h30, Praça 7
– Brasília (DF), 15h, Museu Nacional da República
– Curitiba (PR), 18h, Praça Santos Andrade
– Florianópolis (SC), 18h, em frente ao Morro do Mocotó
– Teresina (PI), 16h, Parque da Cidadania
– Juiz de Fora (MG), 18h, Câmara Municipal
– Macapá (AP), 16h, Mercado Central
– Recife (PE), 16h30, Praça UR11 Ibura
– Rio Branco (AC), 8h, Assembleia Legislativa
– Rio de Janeiro (RJ), 16h, Candelária
– São José do Rio Preto (SP), 12h, Defensoria Pública
– São Paulo (SP), 18h, MASP
– Vitória (ES), 16h, Praça de Itarare

  • Pedro Borges

    Pedro Borges é cofundador, editor-chefe da Alma Preta. Formado pela UNESP, Pedro Borges compôs a equipe do Profissão Repórter e é co-autor do livro "AI-5 50 ANOS - Ainda não terminou de acabar", vencedor do Prêmio Jabuti em 2020 na categoria Artes.

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