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MPF apura possível retenção e apropriação de poupanças do século XIX de pessoas escravizadas

Recomendação do Ministério Público Federal dá 30 dias para Caixa Econômica Federal informar sobre cadernetas de poupança abertas por pessoas escravizadas ou ex-escravizadas
Prédio sede da Caixa Econômica Federal.

Prédio sede da Caixa Econômica Federal.

— Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil

23 de outubro de 2025

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou à Caixa Econômica Federal, na última quarta-feira (22), a elaboração de um plano de identificação de todas as cadernetas de poupança abertas por pessoas escravizadas ou ex-escravizadas mantidas em seu acervo histórico. 

A manifestação prevê o prazo de até 30 dias para a elaboração do plano e solicita a apresentação, em 180 dias, do conjunto dessas contas, indicando os nomes dos titulares, os registros e as informações sobre a destinação dos valores. O documento deve constar se foram sacados, retidos ou transferidos após a abolição. 

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O tema é objeto de inquérito civil instaurado pela Procuradoria Regional dos Direitos dos Cidadãos, que apura a possível retenção e apropriação do dinheiro pela instituição. As poupanças, constituídas no século XIX, reuniam recursos para a compra de cartas de alforria.

A investigação, segundo o MPF, apresentou informações discordantes. Quando as informações foram solicitadas, a instituição afirmou ter registrado 85 poupanças pertencentes a pessoas escravizadas. Posteriormente, o número saltou para 140 documentos e 174 livros com registros diversos. A Caixa teria reconhecido que não realizou a pesquisa completa no acervo disponível e que parte do material não foi catalogado ou digitalizado.

O Ministério Público defende que a falta de informações organizadas sobre essas contas e o destino dos valores indica possível negligência da empresa pública, além de representar uma forma de apagamento da história e da população negra.

A recomendação requer que a Caixa esclareça se o montante depositado nessas cadernetas foram efetivamente restituídos aos titulares ou seus descendentes. 

Com a recomendação, a Caixa deverá informar o MPF, dentro do prazo estabelecido, se acatará a solicitação e quais medidas pretende adotar para garantir a organização, a catalogação e a disponibilização das informações ao público e aos pesquisadores.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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