O historiador e comunicador Jones Manoel cobrou, nesta segunda-feira (20), ações imediatas do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF), após ter sido alvo de ameaças de morte, extorsão e injúrias raciais por parte de um grupo autodenominado nazista.
Em publicação nas redes sociais, Jones criticou a demora das autoridades na condução do caso e cobrou ações mais efetivas diante da segunda ameaça do mesmo grupo.
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“Casos de combate ao nazismo são de competência federal, esfera de atuação do MPF e da Polícia Federal. Essa demora em agir, essa letargia, só aumenta a arrogância destes grupos”, conta.
Segundo nota divulgada por sua defesa, os ataques começaram no sábado (18) e estariam sendo articulados por uma filial brasileira da organização terrorista e neonazista internacional intitulada “Atomwaffen Division”.
De acordo com o texto, Jones recebeu mensagens de e-mail com exigência de pagamentos vultuosos, acompanhadas de ofensas racistas, como “pretinho alarmista” e “preto macaco gorila”. As mensagens também faziam ameaças diretas, indicando que os criminosos têm acesso a dados pessoais do historiador e de seus familiares.
O grupo teria ainda proibido qualquer denúncia às autoridades, afirmando que, em caso de descumprimento, poderiam ir até a casa da vítima “a qualquer momento”. O e-mail teria sido enviado a partir de um endereço institucional de um serviço público brasileiro, conforme relatado na nota dos advogados.
“Diante da ameaça de morte reiterada e aprofundada, tornamos público a grande preocupação com segurança e a vida de Jones Manoel. Solicitamos encarecidamente às autoridades competentes que as investigações já em curso sejam conduzidas com máximo de rigor e celeridade, visando a desarticulação do grupo neonazista em ascensão”, afirmou a nota.
Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) informou que está acompanhando o caso por meio do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH).
“Considerando que o caso ainda está sob apuração, o PPDDH mantém interlocução com as autoridades competentes e com as partes envolvidas, adotando as medidas cabíveis no âmbito de sua atuação para garantir a segurança e os direitos fundamentais do ameaçado”, informou no comunicado.