O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realiza entre 13 e 17 de abril uma marcha de Curionópolis a Eldorado do Carajás, no Pará. A estimativa é de que 3 mil militantes percorrerão o trajeto para dar continuidade à caminhada interrompida há 30 anos.
Em 17 de abril de 1996, 155 policiais militares atacaram uma manifestação de trabalhadores na PA-150, no km 95, região conhecida como Curva do S.
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O massacre de Eldorado do Carajás deixou 21 mortos e 79 feridos. A chacina ocorreu durante um bloqueio da estrada organizado por cerca de 1,5 mil integrantes do MST.
Os trabalhadores protestavam por transporte e alimentação para uma marcha até Belém. O objetivo principal era exigir do governo federal a desapropriação da fazenda Macaxeira, área ocupada por 3,5 mil famílias desde 1995.
O ataque ocorreu com autorização do então governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB). Dezenove trabalhadores morreram no local. Outros dois não resistiram aos ferimentos no hospital.
O episódio ganhou repercussão internacional e levou a Via Campesina, organização que reúne movimentos sociais, a declarar o 17 de abril como o Dia Internacional de Luta pela Terra.
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Marcha reafirma necessidade da reforma agrária
Ayala Ferreira, da direção nacional do MST, afirmou que a mobilização não se limita à memória.
“Não é só pela memória, é que o tempo histórico atual exige que aqueles e aquelas que seguem vivos levem a memória dos que tombaram, mas sobretudo, é uma mobilização que reafirma o sonho de que a reforma agrária é necessária”, disse em nota à imprensa.
A marcha ocorre em paralelo ao 20º Acampamento Pedagógico da Juventude Sem Terra Oziel Alves Pereira, que acontece de 10 a 17 de abril. Mais de 500 jovens da região participarão das atividades.
A programação inclui a reconstrução do monumento de memória aos 21 trabalhadores mortos na Curva do S.
No dia 17 de abril, data que marca o aniversário do massacre e também o Dia Internacional da Luta Camponesa, ocorrerá um ato político. A cerimônia celebrará a chegada da marcha e o lançamento da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA), organizada pelo Setor de Educação do MST.
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