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MST retoma marcha em Eldorado do Carajás 30 anos após massacre no Pará

Mobilização reúne 3 mil militantes e resgata percurso interrompido em 1996, quando ação policial deixou 21 trabalhadores rurais mortos
Pessoas manifestando com uma cruz em suas mãos. Foto em preto e branco.

Pessoas manifestando com uma cruz em suas mãos. Foto em preto e branco.

— Divulgação/MST

10 de abril de 2026

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realiza entre 13 e 17 de abril uma marcha de Curionópolis a Eldorado do Carajás, no Pará. A estimativa é de que 3 mil militantes percorrerão o trajeto para dar continuidade à caminhada interrompida há 30 anos. 

Em 17 de abril de 1996, 155 policiais militares atacaram uma manifestação de trabalhadores na PA-150, no km 95, região conhecida como Curva do S.

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O massacre de Eldorado do Carajás deixou 21 mortos e 79 feridos. A chacina ocorreu durante um bloqueio da estrada organizado por cerca de 1,5 mil integrantes do MST. 

Os trabalhadores protestavam por transporte e alimentação para uma marcha até Belém. O objetivo principal era exigir do governo federal a desapropriação da fazenda Macaxeira, área ocupada por 3,5 mil famílias desde 1995.

O ataque ocorreu com autorização do então governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB). Dezenove trabalhadores morreram no local. Outros dois não resistiram aos ferimentos no hospital. 

O episódio ganhou repercussão internacional e levou a Via Campesina, organização que reúne movimentos sociais, a declarar o 17 de abril como o Dia Internacional de Luta pela Terra.

Leia mais: Monumento em homenagem a vítimas do Massacre de Eldorado do Carajás é reinaugurado 

Marcha reafirma necessidade da reforma agrária

Ayala Ferreira, da direção nacional do MST, afirmou que a mobilização não se limita à memória. 

“Não é só pela memória, é que o tempo histórico atual exige que aqueles e aquelas que seguem vivos levem a memória dos que tombaram, mas sobretudo, é uma mobilização que reafirma o sonho de que a reforma agrária é necessária”, disse em nota à imprensa.

A marcha ocorre em paralelo ao 20º Acampamento Pedagógico da Juventude Sem Terra Oziel Alves Pereira, que acontece de 10 a 17 de abril. Mais de 500 jovens da região participarão das atividades. 

A programação inclui a reconstrução do monumento de memória aos 21 trabalhadores mortos na Curva do S.

No dia 17 de abril, data que marca o aniversário do massacre e também o Dia Internacional da Luta Camponesa, ocorrerá um ato político. A cerimônia celebrará a chegada da marcha e o lançamento da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA), organizada pelo Setor de Educação do MST.


Leia mais: MST homenageia vítimas de massacre que completa 28 anos

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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