Até 2030, ao menos 5,9 milhões de crianças, adolescentes e jovens poderão viver em situação de pobreza devido ao impacto das mudanças climáticas, segundo relatório divulgado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
O documento, intitulado “O impacto das mudanças climáticas sobre a pobreza infantil e juvenil na América Latina”, analisa como os eventos climáticos extremos influenciam o aumento da pobreza na população com menos de 25 anos e examina os esforços realizados pelos países para reduzir emissões de gases do efeito estufa (GEE) e adotar estratégias de redução, adaptação e resposta a perdas e danos.
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O levantamento cobre 18 países da região: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. Esses países representam 95% da população total dos 33 Estados-membros da CEPAL.
Foram analisados os impactos de secas, inundações, ciclones tropicais e ondas de calor em três cenários, definidos pelas trajetórias futuras das emissões de gases de efeito estufa e pelos níveis de esforço dos países em reduzi-las.
No cenário mais otimista, em que os governos adotem rapidamente medidas para conter as emissões de GEE, pelo menos 5,9 milhões de crianças e jovens adicionais entrarão na pobreza. Se as medidas forem apenas parcialmente aplicadas ou demorarem a ser implementadas, o número poderá chegar a 17,9 milhões até 2030.
O relatório destaca que, apesar da vulnerabilidade, apenas 3,4% do financiamento climático multilateral é destinado à infância na América Latina e no Caribe. A maior parte dos recursos não contempla serviços essenciais como saúde, nutrição, educação, água e saneamento — considerados fundamentais para o desenvolvimento cognitivo e físico.
Recomendações da ONU
A CEPAL e o UNICEF recomendam que os governos latino-americanos fortaleçam a resiliência climática dos serviços sociais e dos equipamentos de infraestrutura crítica, com atenção especial aos primeiros mil dias de vida. O objetivo é oferecer melhor proteção a crianças, adolescentes e jovens frente aos impactos das mudanças climáticas.
Outra medida defendida é o aumento do financiamento climático sensível à infância, com destinação específica de recursos para atender as necessidades de crianças de diferentes idades.
Para as organizações, é igualmente necessário promover maior conscientização, educação e empoderamento climático de crianças e jovens, incentivando sua participação em processos de decisão e garantindo a inclusão da educação ambiental e climática nos currículos escolares e em programas educativos.
As recomendações incluem ainda o fomento a políticas de proteção social adaptáveis e a criação de respostas emergenciais que considerem as necessidades específicas da infância e da adolescência. Dessa forma, busca-se reduzir as vulnerabilidades e assegurar condições mais justas de desenvolvimento para as próximas gerações.