Salvador – O mês de novembro, em que o país volta o olhar para as lutas e conquistas da população negra, evidencia o protagonismo de mulheres que fortalecem as comunidades por meio do empreendedorismo. Na capital baiana, o Festival Salvador Capital Afro, com o tema “Territórios em rede, raízes em movimento”, trouxe para a comunidade a imersão Blend de Sucesso, criada e conduzida pelas empreendedoras Vanessa Luz e Tuany Souza.
A atividade percorre bairros como Liberdade, Ilha de Maré, Nordeste de Amaralina, Ribeira, Candeal, Itapuã e Cajazeiras, reafirmando a importância da formação, do cuidado e da autonomia econômica como caminhos de resistência e futuro.
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Em entrevista à Alma Preta, a pedagoga e especialista em comportamento e vendas Vanessa Luz explica que o objetivo central da ação é descentralizar o acesso à formação empreendedora e alcançar a verdadeira base da capital afro: “A gente está aqui na sede do Malê Debalê fazendo mais uma atividade nos territórios, porque o público periférico é quem faz Salvador ser, de fato, a capital afro”, afirma.
Sobre a imersão, Vanessa reforça a importância de articular cuidado, estratégia e prática: “O sucesso empresarial precisa do sucesso pessoal e mental. Autocuidado, criatividade, oratória, educação financeira e posicionamento digital caminham juntos nesse processo. A ideia é que esses afroempreendedores tenham o instrumental necessário para levar suas empresas adiante, com menos mortalidade dos negócios e mais impacto psicossocial.”
A gastróloga, curadora e estrategista sensorial Tuany Souza atua na construção do Blend de Sucesso a partir da sua trajetória e da vivência de mulheres negras no mercado. “Muita gente coloca a gestão e a precificação como algo distante, mas o que fazemos é aproximar isso da realidade delas. Precificar não é só planilha: é entender nossa base, nossa história, e transformar isso em lucratividade”, explica.
Ela reforça que a metodologia é prática e acessível, voltada para fortalecer a autonomia das empreendedoras. “Tudo o que a gente viveu, a gente transformou em facilidades para elas aplicarem nos próprios negócios, desde limpar a câmera para tirar uma foto até entender quando é hora de investir em profissionais”, detalha.
A ação considera especialmente o recorte de gênero, garantindo que mulheres negras tenham o instrumental necessário para levar seus empreendimentos com autonomia. As formações incluem desde conteúdos voltados para profissionais da beleza e trancistas até oficinas que articulam autocuidado, gestão e fortalecimento emocional, reconhecendo que “o sucesso empresarial precisa do sucesso pessoal e mental”.
Em cada comunidade, a programação também envolve momentos culturais com artistas do próprio bairro, reforçando identidade e pertencimento. Além das oficinas, as empreendedoras continuam recebendo acompanhamento ao longo do ano, em processos que unem autoestima, autocuidado e prática empreendedora.