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Mundo pode ter 351 milhões de mulheres na pobreza extrema até 2029, prevê ONU

Estudo aponta riscos para cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e destaca impactos da exclusão digital e da insegurança alimentar
Mulheres protestam contra a fome e o desemprego em Heliópolis, a maior favela de São Paulo, Brasil, em 21 de dezembro de 2021.

Mulheres protestam contra a fome e o desemprego em Heliópolis, a maior favela de São Paulo, Brasil, em 21 de dezembro de 2021.

— Nelson Almeida/AFP

20 de setembro de 2025

Em cinco anos, o mundo poderá registrar 351 milhões de mulheres e meninas vivendo em extrema pobreza, caso as tendências atuais não se alterem. A projeção consta no relatório “Progresso nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: O Panorama de Gênero 2025”, publicado pela ONU Mulheres e pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas.

O documento alerta que, nesse ritmo, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 5 — que trata da igualdade de gênero e autonomia de todas as mulheres e meninas — não será cumprido até 2030. O levantamento mostra ainda que o mundo está na trajetória de não alcançar nenhum dos indicadores relacionados à igualdade de gênero.

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A publicação avalia os 17 ODS, destacando dados, evidências, avanços e retrocessos relacionados à igualdade de gênero. Entre os pontos críticos, está a insegurança alimentar: em 2024, 64 milhões de mulheres a mais do que homens viviam nessa condição de forma moderada ou grave.

Avanços e retrocessos

Apesar das dificuldades, o relatório apresenta sinais de progresso. As meninas estão hoje mais propensas a concluir a escola do que em qualquer outro momento. A mortalidade materna caiu quase 40% entre 2000 e 2023.

Nos países que adotaram medidas abrangentes contra a violência de gênero — incluindo leis, políticas, mecanismos institucionais, coleta de dados e serviços de atendimento —, as taxas de violência por parceiro íntimo são 2,5 vezes menores do que nas nações com proteções frágeis.

A participação das mulheres nas negociações sobre mudanças climáticas dobrou nos últimos anos, e 99 novas leis ou reformas legais eliminaram práticas discriminatórias desde o ano de 2020.

Ao mesmo tempo, o relatório alerta para um retrocesso sem precedentes nos direitos das mulheres. O espaço cívico encolheu, e iniciativas de promoção da igualdade sofrem cortes de financiamento.

Conflitos armados também impactam diretamente mulheres e meninas. Atualmente, 676 milhões vivem em áreas atingidas por confrontos, o maior número desde a década de 1990.

Em 2024, havia 64 milhões de mulheres a mais do que homens em situação de insegurança alimentar moderada ou grave. Esses dados reforçam que a igualdade de gênero enfrenta ameaças significativas, embora ainda seja possível reverter a tendência com investimentos consistentes e vontade política.

Situação nos países de língua portuguesa

O relatório também traz recortes específicos. Entre 2012 e 2023, apenas 20,8% das mulheres em idade reprodutiva (geralmente dos 12 aos 50 anos) em Moçambique atingiram a diversidade alimentar mínima — consumo de pelo menos cinco grupos alimentares em um dia. No Brasil, o índice foi de 54,8%.

Na educação, meninos brasileiros apresentaram desempenho superior em matemática no final do ensino fundamental, padrão também observado em países como Chile, Itália, Nova Zelândia e Reino Unido. Em Portugal e Brasil, a diferença de desempenho entre gêneros na 8ª série permanece significativa.

No caso brasileiro, o relatório destacou que o acesso à eletricidade no meio rural está diretamente relacionado ao aumento da renda de mulheres trabalhadoras. A disponibilidade de energia possibilita não apenas melhores condições de vida, mas também maior inserção em atividades produtivas, ampliando oportunidades de geração de renda e autonomia econômica.

O relatório é divulgado no mesmo mês em que líderes mundiais se reúnem em Nova Iorque para a 80ª Assembleia Geral da ONU e para a marca de 30 anos da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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