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Ocupação Cultural Jeholu lança álbum com cânticos para orixás

A estrutura musical foi pensada para os arranjos vocais e conta com instrumentos de corda, sopro e percussão
Imagem mostra quatro pessoas com roupas coloridas interpretando orixás lado a lado em uma mata.

Foto: Divulgação

2 de novembro de 2023

A Ocupação Cultural Jeholu lançou o álbum “Awọn Ohùn, Òkun, Ọ̀run Àiyé – Vozes do Oceano, do Céu e da Terra”, que reúne cânticos dos orixás Exu, Omolu, Nanã Iemanjá e Oxalá, feitos, majoritariamente, em terreiros de tradição nagô/ketu.

Para além dos cantores e cantoras, os cânticos ancestrais negros e de domínio público são interpretados pelo corpo artístico que envolve percussionistas, dançarinos, arranjadores, pesquisadores e outros músicos como violoncelista, violonista, pianista, flautista e contrabaixista. Toda a estrutura é pensada com o objetivo de dar protagonismo aos arranjos vocais.

As divindades que protagonizam o álbum foram pensadas a partir dos laços mitológicos com Obaluaiê, patrono da Ocupação Cultural Jeholu, sendo Nanã e Iemanjá suas respectivas mãe e mãe de criação e Oxalá seu pai. Exu figura como aquele a quem se pede permissão, por isso, é quem abre a série de produções.

As cenas representam a ligação entre os orixás e a cidade de São Paulo, numa constante transformação, nas passagens de cena, da urbanidade para a mata, do humano à divindade.

O levantamento e seleção dos cânticos sacros dos terreiros deram abertura ao processo, que passou, posteriormente, pela transcrição do material que foi recolhido em gravação de áudios com lideranças das comunidades tradicionais de matrizes africanas para a partitura.

Para o diretor geral e artístico do projeto, Felipe Brito, produções como essas podem ajudar a combater o racismo religioso e a falta de informações por meio da arte.

“A performance cênico musical na linguagem audiovisual, no contexto aplicado neste projeto, tem como sentido apresentar a riqueza da musicalidade, da corporeidade existente dentro dos terreiros de candomblé, bem como em todo universo das matrizes africanas na diáspora africana no Brasil. É, ao meu ver, um potente instrumento de combate ao racismo religioso, por meio da sensibilidade, da musicalidade existente nas nossas comunidades”, explica.

O álbum “Awọn Ohùn, Òkun, Ọ̀run Àiyé: Vozes do Oceano, do Céu e da Terra”, da Ocupação Cultural Jeholu, está disponível nas plataformas digitais.

  • Redação

    A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

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