Nos últimos nove anos, ao menos 160 pessoas foram mortas em operações policiais nas 15 favelas do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pela organização Redes da Maré nesta quinta-feira (19).
Segundo a 9ª edição do Boletim Direito à Segurança Pública na Maré 2025, entre 2016 e 2025, foram deflagradas 231 ações da polícia na região. Também há registros de cerca de 1,5 mil ações de violência e violações de direitos dos moradores, além de ameaças, tortura e cárcere privado.
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“Há períodos que concentram verdadeiros massacres, como 2019 (30 mortes) e 2022 (26 mortes), evidenciando que a política de segurança pública segue operando sob uma lógica letal e ineficaz. A vida dos moradores continua sendo tratada como dano colateral. E diga-se sem rodeios: não é excesso, é método!”, diz trecho do documento.
A documentação da série histórica foi realizada de maneira independente pela organização, com dados locais extraídos pelo Eixo Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça da Redes.
A pesquisa indica que apenas 16 de todas as mortes tiveram perícia realizada após os óbitos. Entre as periciadas, somente uma resultou em denúncia formal para investigação. A alegação de instabilidade do território, destaca o estudo, é recorrentemente utilizada como justificativa para negar o procedimento.
O levantamento indica impactos significativos em crianças e adolescentes em idade escolar. De acordo com o boletim, houve 163 dias com escolas fechadas em decorrência das operações em todo o intervalo observado.
O número equivale à perda de aproximadamente um ano letivo completo na trajetória educacional dos estudantes.