A Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania concedeu, nesta terça-feira (2), perdão e indenização ao ex-atacante Reinaldo Lima, ídolo do Atlético Mineiro, em reconhecimento à perseguição política sofrida pelo atleta durante o regime militar (1964–1985).
Por unanimidade, o colegiado acatou o pedido de anistia. A sessão teve como objetivo analisar requerimentos relacionados a perseguições de caráter exclusivamente político e emitir pareceres opinativos aos atingidos. A decisão inclui ainda o pagamento de uma indenização de R$ 100 mil, a ser paga pelo Estado em parcela única.
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Ao final da votação, a ministra Macaé Evaristo comentou o significado da reparação.
“Para que isso nunca mais se repita, nosso sincero pedido de desculpas. Que sirva também de exemplo para todos os fãs do futebol e do esporte do nosso país: futebol é, sim, arte e cultura, mas também é uma defesa intransigente da democracia”, afirmou na sessão.
Com a decisão, o reconhecimento torna Reinaldo em anistiado político, quatro décadas após o fim do regime que o vigiou e assediou por suas manifestações antirracistas e por sua resistência ao autoritarismo.
Durante a sessão, o ex-jogador relembrou as perseguições que, segundo ele, prejudicaram sua vida pessoal e profissional. Reinaldo costumava comemorar seus gols erguendo o punho cerrado, gesto inspirado no movimento Panteras Negras que se tornou referência tanto na luta contra a ditadura como na defesa dos direitos civis da população negra nos Estados Unidos.
“Um simples gesto meu com o punho cerrado das minhas comemorações e os meus pedidos de volta da democracia foram suficientes para acionar uma campanha gigantesca de difamação contra mim. O objetivo era claro: destruir a minha reputação, prejudicando minha vida pessoal e profissional. Queriam calar minha voz, e diminuir a minha força”, declarou.

Considerado o maior artilheiro da história do Atlético Mineiro e um dos principais nomes do futebol brasileiro, Reinaldo vestiu a camisa do clube entre 1973 e 1985, marcando 255 gols em 475 jogos.
A perseguição política também é apontada como um dos fatores que dificultaram sua trajetória na Seleção Brasileira, incluindo a não convocação para a Copa do Mundo de 1982, período em que sofria forte monitoramento das forças repressoras. Nesse período, Reinaldo detinha o recorde de 28 gols em 18 partidas pelo Campeonato Brasileiro de 1977.