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PF estima 3 anos para analisar imagens da chacina da Penha e do Alemão

Perícia das imagens da Operação Contenção esbarra em volume de 9 mil arquivos de 504 câmeras; polícia pede ao STF que trechos de interesse sejam indicados
Carros queimados após operação na favela Vila Cruzeiro, no complexo da Penha, Rio de Janeiro, em 28 de outubro de 2025.

Carros queimados após operação na favela Vila Cruzeiro, no complexo da Penha, Rio de Janeiro, em 28 de outubro de 2025.

— AFP

17 de abril de 2026

A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a análise das imagens da Operação Contenção, a chacina mais letal do Brasil, pode levar três anos. 

Os peritos federais estimam 4.500 horas de gravação distribuídas em 9.025 arquivos de vídeo, provenientes de 504 câmeras corporais. O cálculo considera a disponibilidade de dez peritos criminais federais no caso.

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A operação policial ocorreu em outubro de 2025 nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, e deixou 122 mortos, sendo considerada a mais letal da história do estado do Rio de Janeiro e do Brasil.

Em fevereiro de 2026, o ministro Alexandre de Moraes determinou que o governo do estado enviasse à PF todas as imagens captadas durante a ação. O prazo inicial para a conclusão da perícia era de 15 dias.

O diretor-geral substituto da PF, William Marcel Murad, encaminhou ofício ao STF nesta quarta-feira (15), no âmbito da ADPF das Favelas. O documento informa que os links enviados pela Corregedoria da Polícia Militar do Rio de Janeiro permitem a reprodução e o descarregamento individual de cada arquivo. 

A plataforma, no entanto, torna impraticável a extração do conjunto total de vídeos para preservação e análise pericial.

A maior parte dos vídeos têm duração de 30 minutos. O fato de cada arquivo necessitar ser baixado um a um inviabiliza tecnicamente o trabalho, segundo a PF.

Leia mais: PGR aciona STF para acessar laudos da maior chacina policial do RJ

A Polícia Federal apresentou dois requerimentos ao ministro Alexandre de Moraes. O primeiro pede que as gravações sejam encaminhadas em mídia física, no formato nativo, acompanhadas de códigos hash para verificação de integridade. 

O segundo solicita a indicação objetiva dos trechos de interesse, considerando os eventos relevantes ao procedimento apuratório.

A PF argumenta que, sem a delimitação dos trechos, a efetividade dos exames tende a ser reduzida. O volume expressivo de laudos resultantes não se aprofundaria na análise dos eventos relevantes. 

O órgão também alerta que o prazo de três anos pode variar conforme a complexidade do material, incluindo ruídos ambientais, falas sobrepostas e a dinâmica das interações.

Decisões do STF e descumprimento de prazos

Em novembro de 2025, Alexandre de Moraes já havia determinado a preservação integral das provas e elementos materiais relacionados à Operação Contenção. 

A decisão atendeu pedido da Defensoria Pública da União (DPU), com base em informações que indicavam ausência de perícia nos locais das mortes e risco de perda de provas essenciais. Cláudio Castro (PL), governador na ocasião, foi intimado a garantir o cumprimento da decisão.

Em abril de 2026, a PF informou ao ministro que ainda não havia recebido as imagens das câmeras corporais dos policiais militares. O diretor-geral Andrei Rodrigues afirmou que a corporação realizava a perícia do material enviado pela Polícia Civil, mas as imagens da PMERJ não haviam chegado.


Leia mais: PM ignora ordem do STF e não envia à PF imagens da maior chacina policial do RJ

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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