A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a análise das imagens da Operação Contenção, a chacina mais letal do Brasil, pode levar três anos.
Os peritos federais estimam 4.500 horas de gravação distribuídas em 9.025 arquivos de vídeo, provenientes de 504 câmeras corporais. O cálculo considera a disponibilidade de dez peritos criminais federais no caso.
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A operação policial ocorreu em outubro de 2025 nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, e deixou 122 mortos, sendo considerada a mais letal da história do estado do Rio de Janeiro e do Brasil.
Em fevereiro de 2026, o ministro Alexandre de Moraes determinou que o governo do estado enviasse à PF todas as imagens captadas durante a ação. O prazo inicial para a conclusão da perícia era de 15 dias.
O diretor-geral substituto da PF, William Marcel Murad, encaminhou ofício ao STF nesta quarta-feira (15), no âmbito da ADPF das Favelas. O documento informa que os links enviados pela Corregedoria da Polícia Militar do Rio de Janeiro permitem a reprodução e o descarregamento individual de cada arquivo.
A plataforma, no entanto, torna impraticável a extração do conjunto total de vídeos para preservação e análise pericial.
A maior parte dos vídeos têm duração de 30 minutos. O fato de cada arquivo necessitar ser baixado um a um inviabiliza tecnicamente o trabalho, segundo a PF.
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A Polícia Federal apresentou dois requerimentos ao ministro Alexandre de Moraes. O primeiro pede que as gravações sejam encaminhadas em mídia física, no formato nativo, acompanhadas de códigos hash para verificação de integridade.
O segundo solicita a indicação objetiva dos trechos de interesse, considerando os eventos relevantes ao procedimento apuratório.
A PF argumenta que, sem a delimitação dos trechos, a efetividade dos exames tende a ser reduzida. O volume expressivo de laudos resultantes não se aprofundaria na análise dos eventos relevantes.
O órgão também alerta que o prazo de três anos pode variar conforme a complexidade do material, incluindo ruídos ambientais, falas sobrepostas e a dinâmica das interações.
Decisões do STF e descumprimento de prazos
Em novembro de 2025, Alexandre de Moraes já havia determinado a preservação integral das provas e elementos materiais relacionados à Operação Contenção.
A decisão atendeu pedido da Defensoria Pública da União (DPU), com base em informações que indicavam ausência de perícia nos locais das mortes e risco de perda de provas essenciais. Cláudio Castro (PL), governador na ocasião, foi intimado a garantir o cumprimento da decisão.
Em abril de 2026, a PF informou ao ministro que ainda não havia recebido as imagens das câmeras corporais dos policiais militares. O diretor-geral Andrei Rodrigues afirmou que a corporação realizava a perícia do material enviado pela Polícia Civil, mas as imagens da PMERJ não haviam chegado.
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