A Polícia Federal (PF) informou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda não recebeu as imagens capturadas pelas câmeras corporais dos policiais militares que participaram da Operação Contenção.
A chacina, realizada em outubro de 2025 nos Complexos da Penha e do Alemão, deixou 122 mortos e é considerada a mais letal do estado do Rio de Janeiro e do Brasil.
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Em ofício enviado ao ministro nesta segunda-feira (6), o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação realiza a perícia do material enviado pela Polícia Civil, mas as imagens da Polícia Militar não chegaram.
“Não foi recebido qualquer acervo audiovisual relativo às equipes da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) que atuaram na operação com efetivo significativamente maior e número substancialmente superior de dispositivos de gravação corporal”, disse Rodrigues no documento.
Em março, Alexandre de Moraes determinou que as polícias Militar e Civil enviassem à PF todas as imagens da operação.
A investigação sobre a operação ocorre em meio a impasses envolvendo órgãos responsáveis pela apuração.
O envio incompleto de provas e o atraso na disponibilização de documentos já foram apontados por integrantes do Ministério Público Federal (MPF) como entraves ao andamento das investigações.
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Perícia em andamento e pedido de prazo
O diretor-geral também solicitou a ampliação do prazo para análise das imagens. Segundo Andrei Rodrigues, a perícia do material da Polícia Civil levará pelo menos 90 dias. A PF recebeu aproximadamente 400 horas de gravações da corporação.
“Cumpre informar que equipe de 10 peritos criminais federais já se encontra mobilizada, trabalhando nos exames com caráter prioritário, no entanto não se revela tecnicamente viável o cumprimento do prazo de 15 dias fixado na decisão, à luz das condições atualmente verificadas, sendo imprescindível a concessão do prazo técnico estimado em pelo menos 90 dias”, completou o delegado.
Em seu relatório, a PF também apontou inconsistências no material enviado pela Polícia Civil, como erros de leitura física em dois arquivos de vídeo e ausência de código hash de verificação de integridade em um terceiro arquivo.
A corporação ficou responsável pela perícia do material no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, a chamada ADPF das Favelas, que regula ações policiais no estado.
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