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Plataforma reúne soluções locais que enfrentam os impactos da crise climática no Brasil

As iniciativas se distribuem por 25 estados e abrangem todos os biomas brasileiros, incluindo áreas de maior vulnerabilidade
Mulheres da Brigada Apinajé em Tocantins.

Mulheres da Brigada Apinajé em Tocantins.

— Reprodução/Bruno Kelly/Rede Comuá

9 de novembro de 2025

Comunidades e organizações locais estão na linha de frente do enfrentamento à crise climática no Brasil. São povos indígenas, quilombolas, agricultores familiares, mulheres, coletivos urbanos e populações tradicionais que, a partir de seus territórios, desenvolvem estratégias para resistir a secas prolongadas, enchentes, queimadas e outros eventos extremos que se intensificaram nos últimos anos.

Essas experiências estão reunidas na plataforma Comuá pelo Clima, criada pela Rede Comuá, que congrega organizações, fundos e fundações comunitárias voltadas para a justiça socioambiental. O material traz dezenas de histórias que refletem a diversidade de iniciativas apoiadas pelas organizações da rede — experiências que impactam a vida de quase meio milhão de pessoas em todo o país.

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“As organizações da Rede Comuá apoiam esses grupos e movimentos há décadas, entendendo a mudança climática como transversal a outras agendas importantes de acesso a direitos. As soluções locais são mais assertivas no enfrentamento dos efeitos extremos do clima, já que partem de quem vive nos territórios e são informadas por quem vive a realidade local,” afirma Jonathas Azevedo, da direção executiva da Rede Comuá.

As iniciativas se distribuem por 25 estados e abrangem todos os biomas brasileiros, incluindo áreas de maior vulnerabilidade, como a Amazônia Legal, o MATOPIBA e regiões costeiras. Segundo a Rede Comuá, as soluções apoiadas se destacam por partirem da realidade das comunidades e incorporarem saberes ancestrais e empíricos, garantindo respostas mais eficazes diante das mudanças do clima.

Entre as histórias reunidas pela plataforma estão a brigada de incêndio formada por mulheres Apinajé, no Tocantins, que protege territórios do Cerrado e da Amazônia; o trabalho das mulheres do Assentamento Filhos de Sepé, no Rio Grande do Sul, que criaram viveiros comunitários para reflorestar áreas afetadas pelas enchentes históricas de 2024; as comunidades da Baixada Maranhense, que mantêm bancos de sementes crioulas e fundos solidários para garantir soberania alimentar; e os agricultores da Rede Povos da Mata, na Bahia, que estruturaram sistemas agroecológicos com certificação participativa, promovendo renda e preservação ambiental.

“Em todas as regiões do país e em todos os biomas, há grupos e comunidades desenvolvendo soluções locais para transformar suas realidades. Reconhecer seus saberes é fundamental para o Brasil avançar em mitigação, adaptação e resiliência de modo inclusivo e sustentável,” complementa Azevedo.

O papel da filantropia

A experiência também chama atenção para os mecanismos de financiamento. A Rede Comuá reúne organizações que atuam há décadas na chamada filantropia de justiça socioambiental, que se diferencia por desburocratizar o acesso a recursos e atuar diretamente com grupos locais.

Os dados mostram que esse modelo é estratégico para apoiar a ação local no enfrentamento às mudanças climáticas, contribuindo para que comunidades e territórios se adaptem e fortaleçam sua resiliência. A plataforma é também um chamado à filantropia e a outros mecanismos de financiamento climático, incentivando a criação de arranjos estratégicos que garantam que os recursos cheguem aos territórios e apoiem soluções que promovem adaptação, mitigação e proteção da biodiversidade.

A plataforma Comuá pelo Clima está em constante atualização e disponibiliza histórias e informações sobre iniciativas apoiadas pelas organizações da Rede. A cada novo ciclo, novos projetos e experiências são incorporados, revelando a força das soluções locais e a necessidade de ampliar o apoio e o financiamento.

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