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PM que atirou e matou mulher por andar na rua é suspensa; juiz aponta descontrole

Decisão judicial afasta policial que atirou em Thawanna Samázio após abordagem na Zona Leste de São Paulo
A policial militar Yasmin Ferreira.

A policial militar Yasmin Ferreira.

— Reprodução/TV Globo

24 de abril de 2026

A Justiça do Estado de São Paulo determinou, na quinta-feira (23), o afastamento da função pública da policial militar Yasmin Ferreira, que alvejou e matou Thawanna da Silva Samázio durante uma abordagem na Zona Leste de São Paulo. 

Leia mais: Antes de ser morta por PM em SP, mulher foi questionada por andar na rua

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O caso ocorreu no dia 3 de abril, na Cidade Tiradentes. Segundo os registros das câmeras corporais, Thawanna e o marido andavam e conversavam pela rua quando uma viatura se aproximou e esbarrou no braço do companheiro da vítima. 

Em seguida, outro policial retornou com o carro e iniciou uma discussão, questionando o porquê de estarem andando na rua. A PM, recém-formada na corporação, atirou na mulher durante o debate.

Aos colegas e autoridades, a agente alegou que Thawanna teria dado um tapa em seu rosto, informação contestada pelo esposo da vítima. Após o disparo, o resgate solicitado demorou cerca de 30 minutos para chegar ao local.

A sentença, assinada pelo juiz Antônio Carlos Ponte de Souza, retira o porte de arma e proíbe Ferreira de manter contato com testemunhas e parentes da vítima, além de exigir o recolhimento domiciliar das 22h às 5h. 

Leia mais: Estudo revela que nenhum policial foi responsabilizado por abordagens violentas em 6 anos em SP; 62% das vítimas eram negras

Para o magistrado, o caso possui provas de materialidade e indícios suficientes da autoria da conduta criminosa, marcada por “impulsividade, descontrole emocional e absoluta desproporcionalidade”. 

“Os elementos informativos até então produzidos revelam quadro que extrapola, de forma inequívoca, os limites do uso legítimo da força por agente estatal”, declarou Souza, no documento. 

A morte de Thawanna é investigada pelo Grupo de Atuação Especial de Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (GAESP) do Ministério Público de São Paulo (MPSP). 

Duas semanas após o crime, antes de ser suspensa, uma nova legislação estadual (Lei nº 18.442/26) conferiu um aumento salarial de R$ 480 para a policial. 

A norma uniu as carreiras de soldados de segunda classe, como Yasmin, e de primeira classe em uma só patente. Hierarquicamente, os agentes da primeira classe são superiores e não podem sofrer redução salarial.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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