PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

PM que matou jovem negro com 11 tiros em mercado é condenado a 2 anos de prisão no semiaberto

O réu Vinicius de Lima Britto foi condenado por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar
Imagem de câmera de segurança mostra o momento em que o PM Vinicius de Lima Britto entra no mercado Oxxo, na Zona Sul de São Paulo, em 3 de novembro de 2024.

Imagem de câmera de segurança mostra o momento em que o PM Vinicius de Lima Britto entra no mercado Oxxo, na Zona Sul de São Paulo, em 3 de novembro de 2024.

— Reprodução/Redes Sociais

10 de outubro de 2025

O júri popular do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) condenou, na quinta-feira (9), o policial militar Vinicius de Lima Britto a dois anos, um mês e 27 dias de prisão em regime semiaberto pela morte do jovem negro Gabriel Renan da Silva, no dia 3 de novembro de 2024. 

A execução ocorreu no estacionamento de uma unidade do mercado Oxxo, na Zona Sul de São Paulo. A vítima, de 26 anos, foi morta com 11 tiros pelo PM, que estava de folga. Gabriel foi alvejado enquanto estava de costas por tentar furtar dois produtos da loja. 

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Um mês após o ocorrido, o rapper e ex-integrante do grupo Facção Central, Eduardo Taddeo, tio do jovem, compartilhou um vídeo das câmeras de segurança com o momento em que seu sobrinho foi morto. Vinícius Lima só foi preso e afastado das atividades no dia 6 de dezembro, depois da divulgação das imagens nas redes sociais. 

Após denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Britto foi julgado pelo Tribunal do Júri por homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. No entanto, o corpo de jurados determinou a condenação por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. 

Durante a sessão no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital paulista, o policial declarou que não viu o furto acontecendo nem os supostos itens roubados, mas afirmou que o jovem estava com a mão no bolso do casaco e que isso o levou a acreditar que estaria armado.

O réu também foi sentenciado à perda do cargo público e deverá pagar uma indenização de R$ 100 mil à família da vítima. Ao final da decisão, a juíza Viviane de Carvalho Singulane, que presidiu o julgamento, solicitou a expedição do alvará de soltura de Vinicius. 

Em 2021, o PM foi reprovado no exame psicológico do concurso da Polícia Militar na sua primeira tentativa de ingressar na corporação e apresentou “inadequação” aos critérios exigidos no perfil psicológico para o cargo de soldado.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano