PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Estudantes do ensino médio técnico têm maior empregabilidade e acesso ao ensino superior

Estudo revela desigualdes na trajetória de estudantes egressos do ensino médio em diferentes modalidades; homens e brancos têm melhores indicadores
Estudantes usando noteboks em uma sala de aula.

Estudantes usando noteboks em uma sala de aula.

— Reprodução/Secretaria de Educação de SP

4 de julho de 2026

Os estudantes que cursaram Educação Profissional e Tecnológica (EPT) apresentam melhor índice de inserção com qualidade no mundo do  trabalho, maiores taxas de acesso ao ensino superior e melhores salários do que aqueles que concluíram somente o Ensino Médio Regular. A conclusão é do estudo inédito “Para onde vão os egressos da EPT? Empregabilidade e acesso ao ensino superior no Brasil”, realizado pelo Itaú Educação e Trabalho (IET).

A pesquisa analisa a trajetória de concluintes do Ensino Médio em diferentes modalidades, considerando a  inserção no mundo do trabalho formal e o ingresso no ensino superior.  

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

A metodologia combina bases nacionais como o Censo Escolar, a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e o Censo da Educação Superior, permitindo acompanhar os  egressos em diferentes momentos após a formatura e construir indicadores  comparáveis ao longo do tempo.

A análise se concentrou em estudantes que concluíram o Ensino Médio em três períodos distintos: 2014, 2018 e 2022. Ao todo, foram analisados os dados públicos referentes a  4,9 milhões de egressos em todo o país, sendo 3,4 milhões do ensino médio regular e  876 mil da Educação Profissional e Tecnológica (EPT). 

Para avaliar a qualidade da inserção profissional, o estudo desenvolveu dois índices: o  Índice de Qualidade de Inserção (IQI), composto por três dimensões: renda,  formalidade e atividades rotineiras, e o Índice de Trajetória dos Egressos, que analisa a  continuidade educacional, permitindo observar como o acesso ao ensino superior se relaciona com a qualidade da inserção profissional. Os índices variam de 0 a 1 e quanto  mais próximo de 1, melhor a qualidade da inserção no mercado de trabalho formal e  da trajetória do egresso. 

O estudo mostra que os estudantes que cursaram a Educação Profissional e Tecnológica apresentam IQI superior ao daqueles que concluíram apenas o ensino médio regular, vantagem que se mantém ao longo do tempo.  

Um ano após a formatura, o IQI dos egressos da EPT é de 0,58, frente a 0,46 dos  concluintes do ensino regular. Cinco anos depois, os índices passam para 0,65 e 0,54, respectivamente. Após nove anos, o IQI alcança 0,69 entre os egressos da EPT, frente a  0,61 entre os do ensino regular.

Outro dado relevante é o percentual de formalização da inserção profissional dos egressos por modalidade de ensino. Essa vantagem se mantém ao longo dos anos, em 2022, último período analisado, os maiores percentuais foram observados entre os  concluintes do Técnico Subsequente (66,7% em empregos formais) e do Ensino Médio  Concomitante à EPT (57,1% em empregos formais).

Em comparação, apenas 37,1% dos  egressos do Ensino Médio Regular estavam nestas condições. A vantagem dessas modalidades em relação ao ensino regular alcança 29,6 e 20 pontos percentuais,  respectivamente. 

Homens e brancos têm melhores indicadores

Quando o recorte considera gênero, os homens apresentam taxas mais elevadas de formalidade na maioria das modalidades. Ainda assim, os melhores resultados para ambos os grupos se concentram no Técnico Subsequente e no Ensino Médio Concomitante à EPT.

No Técnico Subsequente, a taxa de formalidade alcança 70,5%  entre os homens e 60,6% entre as mulheres. Já no Ensino Médio Concomitante à EPT,  os percentuais são de 59,2% e 54,2%, respectivamente. O Ensino Médio Integrado à EPT se destaca por apresentar os menores diferenciais de gênero, com taxas praticamente equivalentes entre homens e mulheres.

A análise por raça mostra resultado semelhante ao de gênero. Os maiores índices de  formalidade também se concentram no Técnico Subsequente e no Ensino Médio  Concomitante ao Técnico.

Embora pessoas brancas e amarelas apresentem taxas ligeiramente superiores às das pessoas que se declararam pretas, pardas e indígenas (PPI), as diferenças raciais são relativamente menores do que as observadas entre as modalidades de ensino.

Entre os eixos tecnológicos dos cursos ofertados em EPT, os maiores índices de  formalidade foram registrados em Controle e Processos Industriais (68,4%) e Militar e  Segurança (66,0%). Ambos superam amplamente a taxa observada entre aqueles que  não cursaram EPT (43,1%).

De modo geral, a maior parte dos eixos tecnológicos apresenta níveis de formalidade superiores aos observados no grupo sem formação  técnica, reforçando uma inserção mais consistente no mercado de trabalho formal, após  a conclusão do ensino técnico. 

Leia mais: Brasil pode levar mais de 15 anos para alcançar equidade racial no ensino médio

Acesso ao ensino superior

O estudo também revela diferenças expressivas no acesso ao ensino superior conforme a trajetória educacional dos estudantes. Enquanto 39,1% dos concluintes do Ensino Médio Regular ingressaram na educação superior, entre aqueles que cursaram EPT os  percentuais foram mais elevados: os egressos do Ensino Médio Concomitante à EPT registraram taxa de acesso de 42,7% ao ensino superior e os do Ensino Médio Integrado à EPT alcançaram 54,1%. 

Ou seja, os resultados indicam que a educação profissional tecnológica não representa um obstáculo à continuidade dos estudos. Pelo contrário: os estudantes que cursaram  EPT apresentam taxas de acesso ao ensino superior iguais ou superiores às observadas  entre os concluintes do ensino médio regular.

Ao analisar o acesso ao ensino superior por gênero, observa-se que as mulheres  apresentam taxas mais elevadas de ingresso do que os homens: 37,8% das mulheres deram continuidade aos estudos na educação superior, ante 33,3% dos homens. 

As diferenças também são acentuadas quando observada a variável raça. Entre as  pessoas brancas, 43,1% ingressaram no ensino superior. Já entre pessoas que  autodeclaradas pretas, pardas e indígenas, o percentual foi de 28,2%, enquanto entre  aquelas com raça não declarada chegou a 36,9%. 

“Os resultados mostram que a Educação Profissional e Tecnológica não  apenas amplia as oportunidades de inserção qualificada no mundo do  trabalho, como também favorece a continuidade dos estudos.  Ao combinar formação para o trabalho e ampliação das oportunidades  educacionais, a EPT se consolida como uma estratégia relevante para  ampliar perspectivas de futuro para as juventudes brasileiras”, aponta Silvana Oliveira, superintendente do Itaú Educação e Trabalho. 

Leia mais: Campanha quer ampliar acesso e permanência de estudantes negros no ensino superior

Melhores salários

Os maiores rendimentos médios entre as modalidades de ensino analisadas foram registrados nos egressos do Ensino Técnico Subsequente (R$ 3,1 mil) e do Ensino Médio Concomitante à EPT (R$ 2,8 mil). Os valores superam o observado entre os concluintes do Ensino Médio Regular, cuja remuneração média foi de R$ 2,1 mil. 

A análise da intersecção entre gênero e raça também evidencia desigualdades importantes de renda. Os maiores rendimentos médios são observados entre homens de raça não declarada (R$ 2,67 mil) e homens brancos (R$ 2,61 mil), enquanto as mulheres autodeclaradas pretas, pardas e indígenas registram a menor remuneração  média entre os grupos analisados, de R$ 1,95 mil. 

“Os dados de remuneração reforçam a importância de expandir o acesso  à EPT e de fortalecer  políticas públicas voltadas à sua oferta com equidade e qualidade,  visando melhores perspectivas de renda à população”, conclui Oliveira.

Leia mais: Raça e renda definem chances de aprendizagem no Brasil ainda na primeira infância

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano