Belém – A pesquisadora Zélia Amador de Deus, uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cendenpa), foi homenageada durante o evento “Solidariedade sul-sul para adaptação com justiça climática”, realizado na Universidade Federal do Pará (UFPA) na manhã deste domingo (9), em Belém.
Após uma série de homenagens, a histórica militante do movimento negro brasileiro fez uma fala emocionada, lembrando de sua participação na formulação de políticas públicas de igualdade racial no Brasil e celebrando reflexões políticas de companheiros de movimento.
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“O racismo é o motivo para a supressão dos direitos humanos para pessoas negras no Brasil”, salientou a homenageada, agradecendo aos organizadores.
Bem humorada, Zélia Amador se disse surpresa e agradeceu aos organizadores do encontro e da homenagem na capital paraense, que recebe a COP30 a partir da segunda-feira (10).
O encontro teve a participação de ativistas, representantes quilombolas, representantes de países africanos e colegas de luta de Zélia Amador. Eles exaltaram os feitos da militante ao longo da vida.
“Zélia é a pessoa mais importante dessa universidade. Eu tenho muito orgulho de dizer isso. Ela extrapolou os muros da universidade”, afirmou o reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, sentado ao lado da homenageada.

Participaram do evento também a arquiteta Dulce Maria Pereira, presidenta do Instituto de Desenvolvimento Sustentável (IDS); o ativista Douglas Belchior, diretor de articulação política do Instituto de Referência Negra Peregum; a ativista Raimunda Nilma de Melo Bentes, do Cedenpa; e a embaixadora de Barbados, Tonika Sealy Thompson.
O encontro foi articulado pelo Instituto de Referência Negra Peregum e ocorreu entre a manhã e a tarde deste domingo (9). A programação incluiu diálogos entre representantes da diáspora e do continente africano.
Ainda na mesa de abertura, Sealy-Thompson destacou a necessidade dos países do Sul Global trabalharem em conjunto. “Nós precisamos estar juntos, não só na COP30”, ressaltou.
A expectativa foi reforçada no início da tarde por representantes de países africanos em uma mesa focada na discussão de uma posição conjunta para a COP30. O encontro foi mediado pelo camaronês Eugene Nforngwa, líder temático de Transição Justa e Energia do PACJA (Aliança Pan-Africana de Justiça Climática, em tradução livre).
Durante a mesa, o principal tema foi a necessidade de financiamento climático para os países conseguirem se adaptar diante do aquecimento global.
“Adaptação é uma prioridade. Isso deve ser uma prioridade para a COP30. Estamos aqui para reafirmar nosso compromisso e para dizer que a discussão sobre adaptação ficou na periferia do debate”, afirmou o queniano Obed Koringo, assessor de Políticas da CARE International, organização de direitos humanos.
O tema da adaptação é um dos tópicos centrais das COP’s. No debate climático, trata-se de um esforço para os países, principalmente os mais pobres, construírem infraestrutura adequada para eventos extremos.

Solon Neto / Alma Preta Jornalismo 
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O ativista Douglas Belchior, diretor de articulação política do Instituto de Referência Negra Pereguma e a ativista Raimunda Nilma de Melo Bentes, do Cedenpa | Solon Neto / Alma Preta Jornalismo 
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