PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Torcedora do Avaí é indiciada por racismo, após falas xenofóbicas e racistas contra torcida do Remo

Crime ocorreu no dia 15 de novembro, no estádio Aderbal Ramos da Silva, em Florianópolis e pode resultar na pena de dois a cinco anos de prisão
Imagem mostra torcedora gritando em partida do Avaí e Remo, no estádio da Ressacada, em Florianópolis, 15 de novembro de 2025.

Imagem mostra torcedora gritando em partida do Avaí e Remo, no estádio da Ressacada, em Florianópolis, 15 de novembro de 2025.

— Reprodução/Redes Sociais

9 de janeiro de 2026

A torcedora do Avaí Ana Costa foi indiciada por racismo no contexto de atividade esportiva, após proferir ofensas racistas e xenofóbicas contra torcedores do Remo durante uma partida de futebol em Florianópolis no ano passado. O inquérito foi concluído na quarta-feira (7), confirmou à Alma Preta a Delegacia de Repressão ao Racismo e a Delitos de Intolerância (DRRDI) de Santa Catarina. A informação foi divulgado inicialmente pelo G1.

Segundo a lei nº 7.716/1989, o crime está previsto no artigo 2º-A e pode resultar em pena de reclusão de dois a cinco anos, além da proibição de frequentar, por até três anos, locais destinados a práticas esportivas públicas.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

O caso ocorreu em 15 de novembro, no estádio Aderbal Ramos da Silva, durante a partida entre Avaí e Remo, válida pela Série B do Campeonato Brasileiro. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra a torcedora do clube catarinense dirigindo falas racistas à torcida do Remo, como: “Olha tua cor. Olha, pobre aqui não fica”.

Após o jogo, a Defensoria Pública do Pará enviou um ofício ao Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública de Santa Catarina (DPE-SC), solicitando a adoção das providências cabíveis diante da flagrante violação de direitos.

Em nota enviada à Alma Preta, a  DPE-SC afirmou que repudia qualquer prática de racismo, “especialmente no contexto esportivo, por se tratar de uma grave violação de direitos humanos que deve ser enfrentada com seriedade, responsabilização e ações preventivas”.

O órgão também informou que o andamento do procedimento interno já foi tratado em reunião com um advogado do Avaí, que, segundo a DPE-SC, se mostrou colaborativo no enfrentamento do caso e na adoção de eventuais medidas institucionais.

Além de ter sido suspensa por tempo indeterminado de frequentar os estádios pelo clube catarinense, a torcedora também foi desligada da empresa onde trabalhava, o Grupo Orbenk. A decisão foi anunciada pelo diretor da empresa Ricardo Wasem em uma publicação no LinkedIn.

A Alma Preta também confirmou com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) que o caso segue sendo acompanhado pelo órgão, e que o  inquérito foi recebido pela 40ª Promotoria de Justiça da capital e está sob análise.

No vídeo que flagra as ofensas racistas, outro torcedor também profere falas xenofóbicas, mas ainda não foi identificado pela Polícia Civil.

A Alma Preta não conseguiu contato com a defesa da torcedora. O  espaço segue aberto.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Thayná Santana

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano