Durante encontro do G20 em Durban, na África do Sul, o governo sul-africano alertou que o abandono da ordem internacional baseada em regras e a redução da cooperação entre países podem comprometer as metas globais de desenvolvimento sustentável, previstas para 2030.
O conjunto de objetivos, adotado por todos os Estados-membros da ONU em 2015, inclui metas como erradicação da pobreza extrema, combate à fome, igualdade de gênero, acesso à educação e ação contra as mudanças climáticas.
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O ministro das Finanças da África do Sul, Enoch Godongwana, afirmou que, apesar de sinais de estabilização em algumas regiões, a incerteza segue impactando negativamente as perspectivas de crescimento global. Segundo ele, o aumento de barreiras comerciais, os desequilíbrios persistentes e novos riscos geopolíticos agravam o cenário e afastam o cumprimento dos objetivos do desenvolvimento sustentável.
Godongwana alertou ainda que choques climáticos somados a esses fatores econômicos e políticos podem empurrar ainda mais para longe as metas estabelecidas pela comunidade internacional.
Estados Unidos ausentes, tensões crescentes
A reunião, que reuniu ministros da economia e presidentes de bancos centrais do G20, ocorreu em meio a crescentes disputas comerciais. Os Estados Unidos, sob nova administração, têm promovido mudanças drásticas na política externa e econômica, incluindo cortes em programas de ajuda internacional e imposição de tarifas contra países considerados “antiamericanos”. Tais medidas impactam diretamente projetos de desenvolvimento em países africanos.
A ausência do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reforçou a tensão. Ele foi representado por um subsecretário, após ter se ausentado de uma reunião anterior em fevereiro. Também o secretário de Estado, Marco Rubio, não participou do encontro de chanceleres do G20.
Diante desse contexto, a presidência sul-africana do G20 destacou a necessidade de revitalizar o multilateralismo e promover o diálogo inclusivo entre os países.
“Temos um papel crítico na revitalização e no fortalecimento do multilateralismo, por meio da promoção do diálogo inclusivo, da cooperação baseada em regras e da ação coletiva frente a desafios globais que nenhum país pode resolver sozinho”, afirmou Godongwana.
A Alemanha reforçou o compromisso com esse esforço, conforme declarou o ministro das Finanças, Lars Klingbeil, que defendeu o fortalecimento das parcerias no atual cenário de instabilidade internacional.
O G20, composto por 19 países e duas organizações regionais, representa mais de 80% do produto econômico mundial. Suas decisões não são obrigatórias, mas o bloco exerce papel central nas negociações econômicas globais.