Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicada na revista científica norte-americana Jama Network, apontou a relação entre a vulnerabilidade social e o baixo crescimento de crianças indígenas e em situação de pobreza.
O estudo contou com pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs), da Fiocruz Bahia, e analisou informações de 6 milhões de crianças brasileiras de até nove anos que convivem com a desigualdade, obtidas na base de dados Coorte de 100 Milhões de Brasileiros.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
De acordo com o ensaio, as crianças destes grupos lidam cada vez mais cedo com o crescimento e o peso fora do padrão estimado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os especialistas destacam que o risco de sobrepeso e obesidade é ampliado pelo crescimento abaixo do esperado.
O levantamento indica que, em algumas regiões, as crianças indígenas não chegaram à altura média adequada até a idade limite da amostragem (nove anos), problema que pode resultar em comorbidades permanentes.
“Nas crianças indígenas, este é um fator associado à privação crônica, desigualdade e desenvolvimento social, condições precárias de vida e saúde, determinantes sociais históricos e insegurança alimentar”, destaca Gustavo Velasquez, líder da pesquisa, em nota à imprensa.
A Fiocruz recomenda o desenvolvimento de políticas específicas, intersetoriais e culturalmente sensíveis destinadas aos grupos e territórios prioritários, com atenção especial ao fortalecimento do monitoramento do estado nutricional e dos indicadores de crescimento.