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Webinar gratuito ensina como investigar impactos da transição energética em territórios brasileiros

Ferramenta foi desenvolvida para monitorar os impactos da expansão das energias renováveis, da mineração e da infraestrutura em territórios e áreas protegidas
imagem aérea da área de extração de bauxita no Norte do Pará.

imagem aérea da área de extração de bauxita no Norte do Pará.

— Reprodução/Carlos Penteado/Comissão Pró-Índio de SP

6 de junho de 2026

Como investigar os impactos da mineração de terras raras, linhões de energia, torres eólicas e placas solares sobre terras indígenas, quilombolas, assentamentos rurais e áreas protegidas são focos do webinar gratuito e on-line “Como investigar terras raras, minerais críticos e conflitos da transição energética”, que será realizado na terça-feira (9), às 9 horas, e destacará o uso da plataforma Observatório da Transição Energética como sistema de consulta.

O encontro apresentará métodos, bases de dados e ferramentas para apoiar investigações sobre os efeitos territoriais da transição energética brasileira. A iniciativa conta com apoio da Fundação Ford e o webinar tem a colaboração da Rainforest Investigations Network, do Pulitzer Center. Os interessados podem se inscrever no formulário.

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Voltado a jornalistas, pesquisadores, estudantes e integrantes de organizações da sociedade civil, o evento destaca o uso da ferramenta, que reúne informações sobre empreendimentos de energia renovável, extração mineral e infraestrutura associada, permitindo visualizar sua incidência sobre territórios indígenas, quilombolas, assentamentos da reforma agrária e unidades de conservação.

Leia mais: Brasil discute transição energética enquanto parte dos quilombolas continuam sem luz

O Observatório da Transição Energética foi desenvolvido pela Repórter Brasil, pelos jornalistas Diego Junqueira, Isabel Harari e Paula Bianchi, pelo professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Bruno Milanez, e pelo assessor político e consultor socioambiental do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) Rárisson Sampaio, no âmbito do projeto Justiça na Transição Energética.

Durante o workshop, os participantes conhecerão possibilidades práticas de investigação e monitoramento desses empreendimentos, além de aprender a utilizar a plataforma para identificar conflitos socioambientais, sobreposição de projetos e riscos para comunidades e ecossistemas.

Para Milanez, um dos principais diferenciais do observatório é integrar dimensões que normalmente são analisadas de forma isolada.

“O Observatório da Transição Energética permite reunir duas facetas do atual modelo de transição energética brasileiro: a expansão da geração de eletricidade e a expansão da mineração. Em geral, esses processos são tratados separadamente, mas estão profundamente conectados”, conclui.

Segundo o pesquisador, a plataforma também permite enxergar os efeitos acumulados de empreendimentos distintos em uma mesma localidade.

“O observatório permite identificar impactos cumulativos de diferentes projetos sobre um mesmo território, algo que normalmente não é contemplado pelos processos de licenciamento ambiental”, analisa. 

De acordo com o assessor político do Inesc, Rárisson Sampaio, a ferramenta permite ter um olhar abrangente sobre o avanço de projetos associados à transição energética no Brasil.

“Mais do que informações de infraestrutura, os dados possibilitam identificar áreas de risco socioambiental, haja vista a sobreposição de empreendimentos com territórios protegidos, assentamentos da reforma agrária e unidades de conservação”, explica.

Leia mais: República Democrática do Congo: transição energética justa para quem?

A falta de planejamento adequado no zoneamento dos projetos e o passivo fundiário historicamente acumulado no Brasil têm ocasionado o acirramento de conflitos e violado princípios internacionalmente reconhecidos para uma transição justa, detalha o pesquisador.

“Espera-se que a ferramenta possa auxiliar novas investigações no campo socioambiental, de modo a ampliar o conhecimento sobre essas áreas e trazer a atenção pública para o contexto de violações de direitos que frequentemente ocorrem no entorno de grandes empreendimentos”.

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