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Artistas negros do Brasil expõem obras em Marselha, na França

Projeto mobiliza 18 artistas de gerações distintas em torno das filosofias africanas, que concebem o tempo como cíclico, desafiando a visão linear e predominante do pensamento ocidental
Obras de artistas negros na exposição itinerante "Raízes: Começo, meio e começo".

Obras de artistas negros na exposição itinerante "Raízes: Começo, meio e começo".

— Divulgação

12 de outubro de 2025

Cerca de 18 artistas negros brasileiros participam da exposição itinerante “Raízes: Começo, meio e começo”, em cartaz até 31 de outubro no sul da França, na cidade portuária de Marselha. A mostra integra a Temporada do Brasil na França 2025 e reúne obras inéditas entre pinturas, esculturas, instalações, fotografias e performances. 

Sob curadoria de Jamile Coelho e Jil Soares, a exposição é um convite para conhecer a produção artística negra afro-diaspórica contemporânea e estabelecer conexões entre a diáspora africana no Brasil e a comunidade francesa. 

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“Os fortes laços com África marcada por uma cultura ancestral de resistência seguem partilhados no âmbito da Temporada Brasil França 2025. A mostra Raízes vem reforçar este diálogo”, destaca Robson Bento Outeiro, coordenador executivo da Temporada Brasil França 2025.

Marcando os primeiros passos da internacionalização do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), a mostra reúne os 18 artistas em uma exposição singular, são eles: Anderson Cunha, Eder Muniz, Goya Lopes, Gustavo Araújo, JeisiEKê De Lundu, Jess Vieira, Júnior Pakapym, Leandro Estevam, Ludimila Lima, Luisa Magaly, M. Dias Preto, Mário Vasconcelos, Meneson Conceição, Nádia Taquary, Rynnard, Sandro Ayê e Tina Melo.

Inspirado nas reflexões do filósofo e escritor Nego Bispo, que defende que “somos começo, meio e começo”, o projeto mobiliza artistas de gerações distintas em torno das filosofias africanas, que concebem o tempo como cíclico, desafiando a visão linear e predominante do pensamento ocidental. 

“Ao reunir artistas negros de diferentes gerações, mostramos que tradição e contemporaneidade não se opõem, mas se entrelaçam como continuidade viva, onde passado, presente e futuro se reconhecem e se transformam”, explica a curadora Jamile Coelho.

A mostra também estabelece um panorama da produção artística negra contemporânea no Brasil, ancorada em Salvador, considerada a cidade mais negra fora do continente africano e berço das culturas afro-diaspóricas nas Américas.

Projetando o MUNCAB como um dos pólos da arte negra contemporânea no mundo, sendo o único museu do Norte e Nordeste presente na Temporada do Brasil na França 2025, a exibição visa ampliar o diálogo sobre memória, resistência e descolonização dos olhares artísticos, nesta etapa, no eixo sul internacional. 

A expografia de “Raízes” traz a assinatura de Gisele de Paula, responsável pela 36ª Bienal de São Paulo, com montagem realizada pela RCD Produção de Arte. 

Temporada Brasil França 2025

A Temporada do Ano do Brasil na França 2025 é uma iniciativa bilateral de cooperação cultural que visa estreitar os laços entre os dois países por meio da arte, da ciência, da educação e da inovação. Com uma programação ampla, espalhada por diversas cidades francesas, a temporada busca destacar a diversidade da produção cultural brasileira e fortalecer diálogos históricos, sociais e estéticos entre Brasil e França. 

No campo das artes visuais, o projeto abre espaço para que instituições, coletivos e artistas apresentem suas práticas em um contexto internacional, ampliando o alcance de suas narrativas e promovendo intercâmbios que reforçam a presença do Brasil no circuito cultural global.

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