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Congresso Brasileiro de Afroturismo impulsiona Belo Horizonte no setor e lança associação inédita

Participaram do evento lideranças, empreendedores, comunicadores, pesquisadores e organizações comprometidas com o fortalecimento de práticas turísticas que promovem o protagonismo negro
Participantes do Congresso Brasileiro de Afroturismo ao lado das estátuas de Lélia Gonzales e Carolina Maria de Jesus.

Participantes do Congresso Brasileiro de Afroturismo ao lado das estátuas de Lélia Gonzales e Carolina Maria de Jesus.

— Divulgação/Guia Negro

20 de dezembro de 2025

A Associação Brasileira de Afroturismo (Abrafro), uma iniciativa inédita do turismo, foi lançada durante a primeira edição do Congresso Brasileiro de Afroturismo (CBAfro). Pioneira no setor, a Abrafro é uma iniciativa criada para articular profissionais, pesquisadores, empresas e comunidades, fortalecer redes e impulsionar a consolidação do afroturismo em âmbito nacional. 

A associação foi fundada por empreendimentos de norte a sul do Brasil para refletir a diversidade territorial do afroturismo no país. Integram a associação iniciativas como Afroturismo HUB (SP), Guia Negro (SP), Traveler XP (RN), Da Cor ao Caso (MA), Diáspora Black (SP), Me Leva Cerrado (DF), Deborah Tour Guide (SP), Etinias Turismo (RJ), Sou Mais Carioca (RJ), Lua Carioca Afroguide (RJ), Sensações Turismo (MG), Quilombo Aéreo (MG), Afroturs (BA), Raquel Nevas Tour Guide (RJ), Bahia Guide Like a Sotero (BA), Rota da Liberdade (SP), Conectando Territórios (RJ), Bela Oyá Pantanal (MS), Afroturismo Amapá (AP) e Sheila Souza Tour Guide (RJ).

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“Nosso principal objetivo é o desenvolvimento profissional do segmento turístico no Brasil. Realizamos uma escuta ativa junto aos seus associados, com o intuito de gerar oportunidades para estes empresários e empreendedores negros do setor por meio de parcerias com órgãos públicos e empresas turismo brasileiro”, conta Hubber Clemente, atual presidente da entidade.

Os destaques do Congresso Brasileiro de Afroturismo

A Associação Brasileira de Afroturismo foi lançada durante a primeira edição do Congresso Brasileiro de Afroturismo (Abrafro), que movimentou a cidade de Belo Horizonte entre os dias 3 e 5 de dezembro. 

Ao longo de três dias, o CBAfro 2025 promoveu uma imersão em debates, oficinas, experiências culturais e visitas guiadas. O evento contou com empresas do setor, acadêmicos e comunidades quilombolas de diversas regiões de Minas Gerais, como o Quilombo São Domingos e o Quilombo Chacrinha.

Estiveram presentes lideranças, empreendedores, comunicadores, pesquisadores e organizações comprometidas com o fortalecimento de práticas turísticas que promovem o protagonismo negro, a valorização dos territórios e comunidades tradicionais, a geração de renda e a sustentabilidade. As atividades evidenciaram como o afroturismo pode ser uma ferramenta estratégica de preservação da memória, fortalecimento comunitário e desenvolvimento econômico local.

O congresso foi realizado pelo Guia Negro e pela Sensações Turismo, com patrocínio da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur) e do Sistema Fecomércio MG, por meio do Sesc Minas e do Senac Minas. 

“Nosso objetivo é construir uma rede nacional de profissionais, negócios e territórios afrocentrados, valorizando o legado da população negra e gerando oportunidades.”, afirma Guilherme Soares Dias, fundador do Guia Negro e um dos idealizadores do congresso.

Além dos painéis e debates, a programação contou com uma agenda cultural com apresentações artísticas, rodas de conversa, oficinas afrocentradas, exposições e experiências urbanas como a Caminhada Belo Horizonte Negros que passa por pontos de cultura negra na capital mineira.

Belo Horizonte Negra

A primeira edição do Congresso Brasileiro de Afroturismo em Belo Horizonte aponta para a consolidação da cidade no setor. Dos 2,4 milhões de habitantes, 56% são de pessoas pretas e pardas, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A cidadefoi fundada em 1897, pós-período da abolição, mas guarda um passado histórico preto como a edificação da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (hoje patrimônio imaterial da cidade), e a fundação do terreiro de Ilê Wopo Olojun. A cultura negra segue pulsante na atualidade na gastronomia afromineira, nas manifestações tradicionais como as Congadas e Reinados, e também nas festas como blocos afro, Carnaval e rodas de samba.

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  • Beatriz Mazzei

    Jornalista com especialização em Diversidade & Inclusão. Atua com pautas voltadas para questões raciais, sociais e culturais. Nascida durante o carnaval, tem interesse especial pelas manifestações da cultura popular brasileira.

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