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Escola baiana leva identidade afro-indígena a evento de moda em Moçambique

Representada pela diretora Luísa Mahin, escola de moda da Bahia integra programação internacional com masterclass, debate, oficina e desfile
Luísa Mahin, criadora da Escola Àbámodá.

Luísa Mahin, criadora da Escola Àbámodá.

— Janderson Meneses

20 de setembro de 2025

A Escola Àbámodá, fundada em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, marca presença de 22 a 25 de setembro, no Fancy África, evento de moda e economia criativa, que acontece em Maputo, Moçambique, com o tema  “Ubuntu – Eu sou porque nós somos”. A participação acontece através da presença da diretora e idealizadora da escola, Luísa Mahin, que integra a programação do evento em diversas atividades formativas e apresenta uma mostra da primeira coleção autoral do projeto.

Com apenas um ano de atuação, a Àbámodá  se destaca no cenário baiano por sua metodologia focada na cultura, educação, empreendedorismo e identidade étnico-territorial. À frente do projeto, Luísa agrega sua experiência de mais de 22 anos em gestão de projetos sociais, culturais e de moda para representar a escola no evento internacional.  

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Durante a programação do Fancy Africa, a diretora ministra uma masterclass com o tema “Moda e Transformação Social” e a oficina criativa “Diversidade, inovação e empreendedorismo na moda”, além de integrar o debate “A Moda como Embaixadora da Identidade: Qual o Papel da Cultura Local na Economia Criativa?”. 

A Àbámodá encerra sua participação no evento com o desfile da coleção “Cabaça do Mundo”, um manifesto coletivo que traz como abordagem o sagrado feminino e o empoderamento da mulher.

O intercâmbio entre a Àbámodá e o Fancy África acontece desde julho deste ano, quando a escola recebeu o estilista King Levi em sua sede para apresentação da coleção “XIGUBO – A Força Estética da Resistência Afro”, através do projeto África 360º e do Fancy África Brasil.

Coleção “Cabaça do Mundo”, da Escola Àbámodá. Foto: Casmurro/Divulgação
Coleção “Cabaça do Mundo”, da Escola Àbámodá. Foto: Casmurro/Divulgação

“Cachoeira está entre as nove cidades do país em que a maioria da população se autodeclara negra, ou seja, somos um território predominantemente negro, afrodescendente, que está atravessando o Atlântico numa conexão que une moda, tecnologias ancestrais e transformação social”, destaca Mahin.

Com uma proposta pedagógica centrada na ancestralidade afro-indígena e na transversalidade entre moda, arte, cultura e economia criativa, a Àbámodá atua com foco prioritário no público feminino negro e LGBTQIAPN+, oferecendo formação continuada e profissionalizante em costura, design de joias, estamparia e atividades manuais. Nas aulas são criadas peças autorais com forte ligação identitária e territorial. 

“Pesquisamos produtos naturais do território para usar nos tingimentos; pensamentos nos elementos, iconografias e grafismos indígenas e africanos, procuramos entender como a cultura local pode estar presente em cada peça. Queremos acessar nossas memórias e histórias, para criar produtos que falam disso”, afirma a idealizadora da escola.

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