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Escolas de samba de SP levarão ao Anhembi enredos sobre força feminina e ancestralidade negra e indígena

Desfiles das agremiações do Grupo Especial no Anhembi reúnem enredos que celebram religiões de matriz africana, mulheres negras e povos indígenas
Sambódromo do Anhembi, desfile das Campeãs do carnaval de São Paulo 2025. Escola de samba Mocidade Alegre.

Sambódromo do Anhembi, desfile das Campeãs do carnaval de São Paulo 2025. Escola de samba Mocidade Alegre.

— Paulo Pinto/Agência Brasil

10 de fevereiro de 2026

O Carnaval de São Paulo de 2026 terá um conjunto de enredos centrados em temas afro-brasileiros. Escolas de samba do Grupo Especial como Mocidade Unida da Mooca, Barroca Zona Sul, Império de Casa Verde, Mocidade Alegre e Camisa Verde e Branco apresentam narrativas sobre religiões de matriz africana, trajetórias de mulheres negras, organizações do movimento negro e símbolos de fé. Outras agremiações abordam povos originários e mitologias indígenas.

Os desfiles ocorrem nos dias 13 e 14 de fevereiro, no Sambódromo do Anhembi, com enredos que tratam de memória, espiritualidade, luta social, cultura e personagens históricos.

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Mulheres negras e Instituto Geledés na Mocidade Unida da Mooca

A Mocidade Unida da Mooca leva para a avenida o enredo “Gèlèdés – Agbara Obinrin“, com foco no Instituto Geledés e na trajetória de mulheres negras. O tema tem desenvolvimento do carnavalesco Renan Ribeiro e da enredista Thayssa Menezes.

O desfile inclui quatro alegorias e cerca de 2 mil componentes, divididos em 19 alas. A escola confirma a presença de nomes ligados à produção intelectual, à política e ao movimento negro, como Sueli Carneiro, Erika Hilton, Conceição Evaristo, Rosana Paulino, Lucia Xavier, Amanda Paschoal, Neon Cunha, Douglas Belchior e Ivanir Santos.

A proposta relaciona o conceito de Geledés à organização de mulheres negras e à produção de conhecimento. A escola desfila na sexta-feira, 13 de fevereiro, às 23h.

Dragões da Real conta a lenda das Icamiabas

Às 1h10 da madrugada de sexta (13) para sábado (14), a Dragões da Real apresenta “Guerreiras Icamiabas – Uma lendária história de força e resistência”. O carnavalesco Jorge Freitas criou um enredo sobre as mulheres indígenas que viviam sem maridos às margens do Rio Amazonas.

A narrativa trata as Icamiabas não como uma lenda folclórica, mas como um exemplo de organização social matriarcal. O desfile vai estabelecer um paralelo entre a força dessas guerreiras no passado e a resistência atual dos povos indígenas contra a destruição da Amazônia.

Oxum como eixo de desfile da Barroca Zona Sul

A última escola a desfilar na primeira noite, às 5h30, será a Barroca Zona Sul. Com o enredo “Oro Mi Maió Oxum“, do carnavalesco Pedro Alexandre Magoo, a escola faz uma exaltação à orixá das águas doces, da fertilidade e do amor.

A proposta é apresentar Oxum em sua essência, como uma figura materna, acolhedora e símbolo do afeto como forma de resistência. O desfile se propõe a ser um ritual de axé na avenida.

Império de Casa Verde homenageia escravas de ganho

A Império de Casa Verde apresenta o enredo “Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras”. A proposta trata da história de mulheres escravizadas de ganho e do uso de balangandãs como símbolos de proteção, identidade e status.

O enredo tem como figura central Dona Fulô, nome pelo qual ficou conhecida Florinda Anna do Nascimento, mulher que viveu no período colonial e investiu em jóias após conseguir a sua liberdade. A narrativa relaciona comércio, autonomia e construção de patrimônio por mulheres negras que conquistaram sua própria renda e sua alforria.

A escola abre a segunda noite de desfiles, no sábado, 14 de fevereiro, às 22h30.

Mocidade Alegre faz tributo a Léa Garcia

Às 00h40 de sábado (14), a Mocidade Alegre apresenta “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, um tributo à atriz Léa Garcia. A escola exalta o legado da artista, sua ancestralidade e o protagonismo negro nas artes.

Léa Garcia ficou conhecida por papéis em produções como a novela “Escrava Isaura” (1976), “Selva de Pedra” (1972), “Xica da Silva” (1996) e “O Clone” (2001). A agremiação a define como uma “malunga”, termo que significa companheira de luta. 

O enredo cita que a homenagem é para quem “ousou existir além dos papéis que lhes foram dados”. A escola pretende revisitar a trajetória da atriz, que quebrou estereótipos e abriu caminho para outros artistas negros no cinema e na televisão brasileira.

Gaviões da Fiel defende povos indígenas e a floresta

Na sequência, às 01h45, a Gaviões da Fiel entra na avenida com “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã“. Os carnavalescos Rayner Pereira e Júlio Poloni desenvolveram um enredo político e poético sobre a luta dos povos indígenas.

A narrativa se guia pela lenda da Yakoana, o sopro sagrado dos xamãs Yanomami. O desfile pretende mostrar a floresta como um organismo vivo e traçar uma linha entre a sabedoria ancestral e a urgência das mudanças climáticas. 

O foco é a resistência contra a invasão de terras e a exploração predatória. A escola define o enredo como um “manifesto político e ambiental”. A apresentação deve ligar a espiritualidade indígena, representada pela Yakoana, ao chamado para a preservação do bioma na atualidade.

Camisa Verde e Branco exalta Exu

O último desfile do Carnaval paulista, às 05h, será o da Camisa Verde e Branco. Com o enredo “Abre Caminhos“, a escola celebra Exu, orixá das encruzilhadas, dos caminhos e da comunicação.

A proposta é abordar as diferentes formas de manifestação de Exu, a construção de seus cultos no Brasil e homenagear o “povo de rua”, visto como guardião dos caminhos. A escola afirma que o enredo busca desmistificar a entidade e mostrar sua pluralidade e conexão com as lutas sociais. 

O texto oficial da agremiação menciona que o desfile tratará dos “elos de sabedoria, empoderamento e condução das lutas e bandeiras sociais do povo brasileiro”. A escola, que ficou em 5º lugar em 2025, encerra os desfiles do Carnaval 2026 em busca do 10º título no Grupo Especial.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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