O filme “Aprender a Sonhar”, dirigido pelo cineasta baiano Vítor Rocha, estreia nos cinemas de todo o Brasil no dia 2 de outubro. Com distribuição da Abará Filmes e produção da Caranguejeira Filmes, ambas produtoras baianas, a obra aborda as trajetórias de jovens negros de diferentes comunidades, como quilombolas, indígenas e moradores de territórios periféricos, que enfrentam barreiras para ingressar e permanecer no ensino superior.
Filmado entre 2016 e 2022, o longa foi realizado poucos anos após a criação da Lei de Cotas n° 12.711/2012, e acompanha o cotidiano de estudantes que lutam para conquistar um espaço na universidade. A narrativa destaca os desafios impostos pelo racismo estrutural, mas também as vitórias e conquistas desses jovens que acessam, por meio da educação, o direito da política de ações afirmativas.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
O documentário retrata histórias como a da quilombola Marina Barbosa formada em Medicina pela UFBA, assim como da ex-moradora de ocupação Nadjane Cristina, que conquistou a casa própria e o diploma, e da pesquisadora Ana Paula Rosário, vítima da violência que tem a juventude das periferias como alvo, e hoje atua na área da Sociologia.
Além dessas narrativas, o longa também mostra a trajetória dos indígenas Taquari e Tamiwere Pataxó, que se formaram em Direito, mantendo viva sua cultura e vínculos com seus territórios.
A narrativa acompanha o cotidiano e os momentos dos personagens na busca pela sobrevivência e pelo direito de ocupar espaços convencionais da formação superior sem terem que deixar seus territórios, culturas e tradições.
Para o diretor, o filme é considerado um manifesto afro-indígena, classificado como uma forma de trazer visibilidade aos corpos políticos silenciados na fundação e perpetuação do Estado brasileiro.
“A política de cotas permitiu que 50% dos estudantes das universidades sejam, atualmente, negros e, também, indígenas, e fez com que nossas cosmovisões passassem a disputar o conhecimento acadêmico, contribuindo com o desenvolvimento dos saberes institucionais”, explica o diretor e roteirista Vítor Rocha em comunicado à imprensa.
As sessões de exibição e cidades participantes estão disponíveis na página da Abará Filmes.