Um levantamento realizado pelo Grupo Mover, que reúne grandes empresas brasileiras, revela um dado alarmante: apenas 3% das posições de diretoria e liderança executiva no país são ocupadas por mulheres negras.
No cenário político, a desigualdade também se impõe. Hoje, elas representam apenas 18% das cadeiras no Congresso Nacional, são 107 parlamentares entre 594 congressistas, sendo 91 deputadas federais e 16 senadoras.
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No campo da cultura, a realidade não é diferente. Um exemplo emblemático é o Carnaval do Rio de Janeiro, uma das maiores manifestações culturais do mundo. Atualmente, apenas uma mulher negra está à frente de agremiação do Grupo Especial, Guanayra Firmino, presidenta da Estação Primeira de Mangueira.
“Os dados deixam evidente que não se trata de falta de competência ou de iniciativa, mas de barreiras estruturais que ainda limitam o acesso de mulheres negras aos espaços de decisão. Quando olhamos para esses números, percebemos que o protagonismo existe, mas ainda não é reconhecido ou traduzido em posições de liderança nas grandes estruturas”, aponta Firmino, a única mulher negra à frente de uma escola de samba carioca.
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Ela destaca que, tanto na escola de samba quanto na Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), sua trajetória é marcada pelo respeito conquistado ao longo dos anos, especialmente por sua atuação comunitária iniciada ainda na adolescência, aos 14 anos, na Associação de Moradores do Morro da Mangueira.
“Essa caminhada me fez ser reconhecida como uma liderança dentro da comunidade e depois dentro da Escola, mas ainda é pouco. Precisamos de mais mulheres negras em cargos de liderança — e não me limito ao Carnaval carioca, mas também às grandes corporações e aos espaços políticos”, afirma.
Apesar dos avanços, Firmino ressalta que ocupar um cargo de liderança em uma instituição de projeção internacional ainda impõe desafios diários, especialmente quando se trata de uma mulher negra em um espaço historicamente masculino e excludente. A cobrança constante, a necessidade de reafirmação de competência e a vigilância permanente sobre suas decisões são aspectos que tornam essa trajetória ainda mais desafiadora.
“Estar à frente de uma instituição com a dimensão da Mangueira exige preparo, equilíbrio e muita firmeza. Mas, para uma mulher negra, há sempre um olhar mais crítico, uma cobrança maior. É preciso provar, todos os dias, que você é capaz de ocupar aquele espaço. Ainda assim, sigo com a certeza de que minha presença abre caminhos para outras mulheres que virão”, conclui Firmino.
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